Colheita de histórias!

Foto: Udo Winter
Foto: Udo Winter

Sempre por onde viajo encontro ex-alunos, que, na maioria das vezes não lembro o nome e a fisionomia que o tempo se encarregou de mudar. Os pensamentos ficam fraturados com as perguntas de praxe:

– Lembra de mim, professor?

– Sim…sim… mas, me perdoe, não lembro o ano que estudou e o seu nome está aqui na ponta da língua e não sai. Como é mesmo?

– Sou fulano de tal, da turma do tal fulano…

Agora ficou mais fácil!

Gosto de escutar as histórias de cada um. De rememorar as lembranças estudantis de outrora, de saber onde moram, o que fazem, da vida profissional e familiar! É quando eles saem da plateia e vão para o palco!

Me sinto um pouco responsável pelo sucesso ou pelo insucesso de cada um deles. São histórias diversificadas, alegres,  tristes, prósperas e algumas muito comoventes também!

A grande maioria prosperou e alcançou ascensão profissional! Missão cumprida!

Entre tantas histórias que venho colhendo, a que relato agora foi com o Udo Winter, aluno exemplar e aplicado, que marcou sua passagem pelo Colégio Agrícola Getúlio Vargas em Palmeira – PR, nos anos de 72 a 74.

Depois de mais de três décadas nos encontramos na internet, pelo Facebook.

Me contou que está trabalhando em um laboratório na cidade de Teufen, na Suíça, onde é responsável pela coleta e processamento de dados de medicamentos homeopáticos e fitoterápicos de um grande laboratório.

Sempre envia fotos da cidade onde mora, rodeada de colinas e montanhas que são verdadeiros cartões postais, com um visual de tirar o fôlego pelas paisagens magistrais e maravilhosas onde a neve romantiza o visual! No degelo, formam-se pequenos riachos de águas cristalinas que serpenteiam as montanhas, nutrem as plantas, matam a sede dos animais e os passarinhos gorjeiam alegremente restabelecendo a vida, dando vida ao cartão postal!

O Udo também trabalha como paisagista e professor.

Certa ocasião, fora contratado para fazer o paisagismo em uma casa nos arredores da pitoresca Teufen… Na conversa com a proprietária, ela perguntou da sua nacionalidade: “Sou brasileiro”, respondeu. E a senhora logo foi falando que conhecera um jovem brasileiro, muito gentil e educado que era amigo do seu filho, ambos com 22 anos de idade. Contou ainda que em uma madrugada qualquer, há um ano mais ou menos, este rapaz havia recebido uma ligação de uns amigos pedindo para que fosse apanhá-los na festa em que estavam e levá-los para suas casas na cidade.

Prontamente o rapaz foi até o local e ao retornar para casa, sofrera um acidente. Neste trágico e lamentável acidente o rapaz faleceu.

Com os olhos mareados o Udo logo proferiu:

– Ele era o meu filho!

 

P.S.: Pedi permissão ao Udo para escrever esta crônica. Com o coração choroso, escrevi.

 

Crônicas recomendadas: Virgínia Brustolin de Oliveira ; Escola, aprendizagem e educação…

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