Foi estupro?

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A década de 1950 estava quase findando, quando um caso dos mais inusitados ocorreu na cidade de Palmeira. De uma acusação das mais sérias, acabou virando um fato hilário.

Nesta época o delegado de polícia era o Sr. Espiridião Assad. Homem de conduta ilibada, profissional da mais alta competência, fazia jus à função que exercia. Cidadão exemplar!

O fato ocorrido permaneceu como manchete local por várias semanas na barbearia do Sr. Sebastião Pires, ali na Rua Conceição, defronte ao correio, onde os cavalheiros se encontravam no finalzinho da tarde para garimpar alguma novidade da vida da pacata cidade.

Naquela época qualquer fato novo como um eventual roubo, um desquite, um acidente, ficava nas “paradas de sucesso” por meses, até que um novo fato o substituísse …

Hoje, a notícia matutina já é velha na hora do almoço. E à noite, já é ultrapassada…

Por questão de ética, não vou citar o nome dos envolvidos. Nem colocar nomes fictícios, para não melindrar as pessoas que por ventura sejam homônimos dos protagonistas deste relato. Poderiam sentir-se ofendidas. E com toda a razão.

Contava o delegado, que numa segunda-feira qualquer, compareceu na delegacia, uma moça para dar parte ( hoje B.O. ou boletim de ocorrência) de um rapaz que lhe “pegou na marra”, outro termo usado na época, para se referir ao estupro.

O delegado chamou o escrivão, que na máquina de datilografia registrou como a lei manda, perguntando o nome, endereço, filiação, etc.

Depois de preenchido os dados, foram para o depoimento da vítima de 21 anos.

O delegado interpelou:

– Por favor senhorita, pode contar com clareza o que aconteceu?

– Sim, senhor. Tenho vergonha, mas vou contar. Na segunda-feira passada, ali pelas nove horas da noite estava uma escuridão que dava medo… e um rapaz me agarrou…

– E o que a senhorita fazia sozinha a esta hora da noite?

– Ia para casa, doutor. Estava na casa da minha avó que está doente…

– Prossiga, por favor. Que lugar se encontrava?

– Perto do mato do Rocio, indo para a casa, como falei…

– E um rapaz lhe agarrou?

– Sim, doutor.

– Viu quem era? Conheceu o agressor?

– Mais ou menos…

– Mais ou menos? E o que ele fez?

– Me arrastou mato a dentro. Tirou quase toda a roupa, me derrubou… daí me pegou na marra… à força, o senhor entende?

– E você se defendeu? Arranhou ele?

– Mais ou menos. Ele era muito forte e muito bonito.

– Hummm…

– Isto foi na segunda-feira passada. E o senhor acredita que sexta-feira ele me pegou de novo?

O delegado e o escrivão se entreolharam… e a moça concluiu:

– Verdade, doutor! E já combinamos para a outra semana…


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