O capelista em Copacabana…

Fonte: https://br.pinterest.com/pin/554576141585657268/
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Seguiam os anos. Mais precisamente, janeiro de 1964. Copacabana, Rua Santa Clara, esquina com a Av. Atlântida, posto 4, Rio de Janeiro! Passeava com meu tio Marcos e seu concunhado Haroldo Batista, pela calçada oposta à praia… Do outro lado, na orla, muitas beldades cariocas enfeitavam ainda mais a princesinha do mar… Seria cômico, como cômico foi, quando nos chamou a atenção aquele homem de pernas cambaias, andar troncho, calças largas e chapéu de palha, com o olhar fixado nos glúteos das beldades praianas…

– Olhem lá, aquele cara! É o Mililique!! Meu amigo de Antonina! Só pode ser! Há muitos anos que não o vejo, mas só pode ser ele. Inconfundível! É ele mesmo! Vamos atravessar a rua, quero cumprimentá-lo, rever o amigo! O que estaria fazendo por aqui o capelista? – exclamou o tio Marcos.

Nos aproximamos por trás da exótica figura quando o tio gritou: – MILILIQUE!! – repentinamente e assustado, quase sem acreditar que alguém naquelas bandas, pudesse reconhecê-lo!

– Marquinhos! É você mesmo? Não acredito! Nos encontramos aqui no Rio de Janeiro! Meu Deus, quanto tempo?

​- Pois é, muito tempo mesmo. Desde os tempos das boas pescarias em Antonina! Éramos jovens! O tempo passou…

​Um ar de saudosismo pairou… vi lágrimas rolarem em ambos os rostos. Emoções à parte, entre abraços efusivos, o tio Marcos indagou:

​- O que faz você por aqui? Passeando?

​- Pois é, Marquinhos, depois de velho me casei. Estou em lua de mel!

​- E a patroa? Onde está?

​- Ela já conhecia o Rio. Ficou em Antonina!

​O Haroldo e eu saímos de fininho e quase nos mijamos de tanto rir. O tio Marcos ficou ali, firme. Pois o Mililique era seu amigo. E não nosso.

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