O governador Requião e o joão-de-barro

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É do conhecimento de todos, pelo menos das pessoas que moram no interior, ou melhor ainda na zona rural, que o pássaro de porte mediano de plumagem marrom parecido com o sabiá, chamado de joão-de-barro, faz jus ao nome pelos seus dotes de construtor!

Tem até música gravada pelo Sérgio Reis, que se refere ao bípede emplumado joão-de-barro: “pedreiro da floresta, cantava fazendo festa”… e por aí vai…

Este passarinho, faz seu ninho nos galhos reforçados das árvores.  Os que viraram urbanos usam normalmente os postes da rede elétrica. Transportam pacientemente pedacinhos de argila em seu bico, formatando suas moradias.  Levam em média, quarenta e cinco dias para a conclusão da obra e sempre com a entrada oposta aos ventos predominantes. Uma verdadeira obra de arte para engenheiro ou arquiteto algum botar defeito. Aliás, nunca se soube de alguma marquise ter vindo abaixo na cabeça de alguém…

Após este breve relato, vamos à estória propriamente dita.

O então prefeito da vizinha cidade de Porto Amazonas, Leonaldo Gomes da Costa (o  nome do mandatário municipal era Leonaldo mesmo e não Leonardo) de saudosa memória, tinha  agendado uma audiência com o governador Roberto Requião para assuntos do seu município.

Nesta mesma data, o Emílio Malucelli Neto, presidente da IREM, também tinha uma fala com o governador, quinze minutos mais tarde do horário do prefeito porto-amazonense.

Obviamente chegaram adiantados e ficaram conversando na antessala, até que fossem chamados. Pelo certo, um de cada vez, isto se não fosse pelo governador Requião que com seu jeitão, mandou que entrassem juntos já que os municípios eram vizinhos… Obviamente, os assuntos não eram iguais, mas…

Depois das saudações de praxe, o governador foi logo perguntando ao prefeito:

– E o nosso Porto Amazonas, como está? A crise também chegou por lá?

O Leonaldo tinha ido atrás de verba, pois a situação financeira era generalizada. Ruim mesmo. Para tudo e para todos.

E continuou o governador:

– Dizem que a coisa está tão ruim, que estão até fazendo macumba com caldo Knorr em vez de usar uma galinha de verdade…

E o prefeito, astutamente, para sensibilizar mais o governador saiu com esta:

– No Porto está pior ainda, Vossa Excelência!

–  Sabe… até o joão-de-barro que estava construindo sua casinha, foi morar com a sogra!

As gargalhadas ecoaram na sala… Até o cafezinho, o governador derrubou.

Quem me contou esta passagem, foi o Emílio, que estava lá de corpo presente. Tempos depois, saiu a verba para o município. O prefeito acha que foi ele que conseguiu.

Eu acho que foi o joão-de-barro…

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