Quer sentar-se?

morena_praia

Numa quinta-feira da vida, tarde amena na “Maravilha do Atlântico Sul”, Balneário Camboriú. Resolvi dar um passeio pela interpraias, onde algumas delas destacam-se pelas suas particularidades singulares… Laranjeiras, Praia do Pinho, Taquaras, Taquarinha, Estaleiro, Estaleirinho… Paisagens lindas, paradisíacas, parecendo cartão postal mesmo! E é. A estrada margeia a praia, proporcionando uma paisagem indescritível, privilegiada.

No trajeto, o mar azul, conhecido como Costa Esmeralda pelo anil marcante que tinge nossa alma e colore nossa íris. Se funde no horizonte, com o azul do céu…

Esta história é muito interessante, pois resolvi fazer o trajeto em um ônibus de linha, o número 106, para observar e admirar melhor a rara beleza que até parecia uma pintura em tela com vida própria, pelo vai e vem das ondas e pela brisa fresca que acaricia o rosto e o coração da gente…

Quando entrei no ônibus, já lotado, em pé, sem querer, fixei o olhar em uma morena com um par de coxas estonteantes (ainda bem que não era “coxa branca”). Seios tipo exportação, que provocantemente mal cabiam no decote da blusa. Era uma moça linda, gostosa, cheia de atributos que a natureza generosamente lhe ofertara. Usava um batom vermelho carmim, que delineava a boca sensual e dava uma vontade desgraçada de colar meus lábios aos dela… Cabelos negros como a noite e lisos como o mármore, o carmim realçava a pele jambo daquele pedaço de mau caminho. Era muito gostosa. E ela sabia disso. Seus dotes perfeitos despertavam muitos desejos e pareciam convidar para um romance sexual, qualquer sessentão que nem eu…

À medida que os passageiros iam descendo, eu ia me aproximando mais daquela escultura pecaminosa…

Com alguma descrição, fixei meu olhar naquela obra prima bem ali na minha frente, que meus safados neurônios me cutucavam para que alguma  atitude eu tomasse. Começara a guerra dos neurônios. A metade anjos, que pareciam tocar harpas para desviar minha atenção. A outra metade com garfos tridentes, rabos e chifres, cutucavam-me, empurrando-me para tomar uma atitude de degradação moral aguda. Incentivavam-me, tentadoramente a morder a maçã morena.

Por incrível que possa parecer quem tomou a atitude foi ela. Sim, ela! Com um olhar maroto e insinuante perguntou:

– O tio quer sentar-se?

Com um leve gesto negativo com a cabeça, agradeci a gentileza. Que situação embaraçosa, fiquei engasgado, parecia ter comido uma colherada de farinha de mandioca. Mandei meus neurônios safados à puta que pariu… Ainda bem que fiquei quieto, senão a vergonha seria maior ainda. Olhar é uma coisa, insinuar é outra e falar realmente é sacramentar o pensamento.

Refeito daquela situação constrangedora, a moça olhava o tio com olhar matreiro, indisciplinado, provocante mesmo. Safadinha que só. Não entendi mais nada.

Fiquei na minha e de quando em quando, triturava a gata, meio confuso, puto da vida, mas com alguma esperança. Esperança instigada pelos neurônios safados que com os tridentes afiados espetavam minha imaginação…

Três paradas depois, a morena saltou. De fora do ônibus, ainda ficou me olhando e com um sorriso enigmático, foi-se, rebolando, expondo toda sua prodigiosa natureza.

Mais alguns poucos quilômetros, chegamos ao ponto final.

Na volta, para minha surpresa, a morena estava no ponto e fazia sinal para o ônibus parar. Estaria voltando? Tão rápido? Não entendi.

Pois bem… Entrou no ônibus, agora vazio, foi até o banco que eu me encontrava, olhou dentro dos meus olhos e indagou:

– Posso sentar?

– Sim, claro! Sente-se aqui com o tio!

Dos seus lábios, um sorriso maroto…

E voltamos ao Balneário… Os diabólicos neurônios ganharam a batalha… seguimos encostando as pernas, respiração ofegante, coração disparando….

Daqui em diante, termine esta história como quiser! E com muita imaginação. Que nem eu!!

Crônicas recomendadas: Parindo na praia… ; O Bullying

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