Vereador Amadeu Mario Margraf

Foto: Acervo de Ivonei Margraf
Foto: Acervo de Ivonei Margraf

Começo de noite fria outonal, vou fechar o portão e ao olhar a Câmara de Vereadores, me veio na lembrança a imagem do querido e saudoso vereador Amadeu Mario Margraf!

Grande amigo, alma singela e um coração do tamanho do dia inteiro. Gozador sem precedentes, irradiava simpatia. Um carisma ímpar. Por inúmeras vezes, fora eleito sem gastar um tostão sequer. Sua moeda era a amizade, a caridade e o bem fazer para todos.

Sempre íamos pescar lambaris e até chegar no destino, distribuía balas às pessoas que encontrava na estrada ou que estavam paradas em frente às suas casas. Dizia que adoçando a boca dos eleitores retribuiriam o voto açucarado.

Homem correto, tinha na generosidade sua marca registrada.

Por falar em marca registrada, abaixo registro quatro microcontos pitorescos do lembrado amigo.


Certa feita, sua esposa Dona Luci, perguntou-lhe:

– Onde está a fôrma de cuque que eu fiz?

– Dei para um pedinte que passava por aqui!

– Está bem! Mas onde está a fôrma?

– Foi junto com o cuque, ora bolas!

– Mas Amadeu, quantas vezes já falei… pode dar a comida, mas a vasilha, não!


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Uma vez, defronte ao correio, encontrou com o médico Odilon Cordeiro que notou palidez em seu semblante e falou:

– Vejo que não está bem. Dê um pulo no meu consultório para examiná-lo!

– Sim, Dr. Odilon! Assim que melhorar vou lá!


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Num dia qualquer o Amadeu pediu-me uma carona até a rodoviária. Tinha nas mãos uma broa. Queria dar à Dona Dila.

Era perto da hora do almoço. Ao entrarmos na rodoviária, um bebum encostou nele e por saber da sua bondade atirou:

– Seu Amadeu! Que bom ver o senhor aqui. Votei no senhor! Me paga um pastel?

E mais do que depressa ouviu como resposta:

– Não! Não vou pagar o pastel senão depois você não almoça!

Dei muita risada do ocorrido…

Depois da broa entregue, comprou o pastel e deu ao pedinte etílico!


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Durante algum tempo, toda quarta-feira pontualmente às 7h30min, o Mario Ribeiro também de saudosa memória, ía para Ponta-Grossa.

O Amadeu, pontualmente às 7h25min estava em frente ao escritório Factotum para descolar uma carona.

Esta cena repetiu-se por inúmeras vezes, até que um dia, o Mario, para ver o jeito do Amadeu falou:

– Desculpe Amadeu, mas hoje não estou indo a Ponta-Grossa… meu destino é Curitiba.

– Que sorte a minha! Não há de ver que é para lá que preciso ir hoje?!

Abriu a porta do carro, sentou-se e com a maior “cara de pau” e falou:

– Boa viagem para nós! Que Deus nos acompanhe!  Mas antes de irmos a Curitiba, vamos dar uma passadinha por Ponta Grossa?




Este era o Amadeu Margraf! Tinha o bom humor impregnado no seu DNA… Está fazendo uma falta danada.

Fechei o portão, orei pela sua alma.

Lembrei que um dia lhe falei para dar mais atenção à sua saúde…

Escutei:

– Pois é… mas quem não morre não vê Deus!

Por certo está vendo-o agora!

Descanse em paz, grande amigo!

Saudade!

 

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