Virgínia Brustolin de Oliveira

Foto: Facebook
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” Neste mês de março que se comemora o Dia Internacional da Mulher, oferto através desta crônica, uma homenagem ao feminino sagrado que habita o interior de toda a alma da mulher”!

 

Lembrei-me hoje da Virgínia, prima irmã da Sonia, minha mulher. Moça de olhos verdes arregalados, bochechas róseas, sorriso contagiante, alegria na alma e no coração. A valentia e a inteligência eram suas marcas registradas. Nos deixou muito cedo, até hoje não acredito, mas brindando a vida registrou sua passagem por aqui e deixou um par de filhos gêmeos maravilhosos: Raíza e Guilherme!

Nos dezembros da vida apareciam em Palmeira visitar parentes e amigos. Sempre uma parada aqui em casa para jogar conversa dentro. Passamos muitos Natais juntos. Tínhamos um baú de histórias para contar. Umas hilárias, outras tristes, algumas comoventes e por aí vai…

Sua vida era eclética, onde a liberdade foi o carimbo principal no passaporte da sua existência. Prestou serviços sociais e morou em uma favela no Rio de Janeiro para vivenciar o morro e suas famílias. Por um longo tempo morou nos Estados Unidos e se estabeleceu profissionalmente como guia de turismo em Foz do Iguaçu. Daí seu arsenal de histórias…

E a nossa conversa começou:

– Pois é, Virginia… Mais um ano… Passou rápido, não? Conta aí… Estou ansioso para a sua mais recente história…

E ouvi:

– Veja só como são as coisas, João Marcos. Parece até mentira… Recentemente fui guia de um grupo de americanos. O roteiro sempre o mesmo: as Cataratas, Itaipú, restaurantes, visita aos países vizinhos, Paraguai e Argentina… Tudo ía muito bem quando um enfarte ceifou a vida de um turista do grupo. Pânico e tristeza total. Sua esposa quase pirou, não se conformava diante da tragédia. Ninguém se conformava, não era para menos. Lá fui eu tomar as providências cabíveis… polícia, IML, atestado de óbito e afins… No dia seguinte, a excursão como estava previsto, partiria ao Rio de Janeiro. Mas, devido ao falecimento do americano o impasse estava feito. E agora?

O grupo se reuniu e chegou à conclusão que deveriam seguir viagem. Afinal, as passagens já estavam compradas, o hotel reservado, etc.

– Nossa! Que situação! E a viúva? – exclamei.

– A viúva, com os olhos mareados e soluços na alma me olhou, me abraçou e me pediu para eu mandar embalsamar o corpo e despachar para os Estados Unidos, pois ela iria partir conosco para o Rio de Janeiro. E dali 10 dias disse que estaria nos funerais… E seguiu mesmo com a excursão.

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