Alice Cooper se apresenta em Curitiba após Rock in Rio

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O norte-americano Alice Cooper que influenciou toda uma geração com seu “rock horror show” retorna ao Brasil nesta semana. O cantor com quase 50 anos de carreira discográfica, além de ser uma das atrações do Rock In Rio 2017, passa também por São Paulo e Curitiba. Com realização da Hits Entretenimento e Like Entretenimento, a escala na capital paranaense está marcada neste sábado, dia 23 de setembro, em única apresentação na Live Curitiba (R: Itajubá, 143), às 22horas. Esta será a segunda passagem de Cooper pela cidade. No ano de 2007 ele fez show no Teatro Guaíra.

Os ingressos estão à venda e os valores variam de R$99,00 (meia-entrada) a R$572,00 (inteira), de acordo com o setor. Pista – R$99,00 (meia-entrada) e R$198,00 (inteira) / Área Vip – R$154,00 (meia-entrada) e R$308,00 (inteira)/Pista Premium – R$231,00 (meia-entrada) e R$462,00 (inteira)/ Camarote – R$286,00 (meia-entrada) e R$572,00 (inteira). A meia-entrada é válida para estudantes, pessoas acima de 60 anos, professores, doadores de sangue e portadores de necessidades especiais (PNE). Assinantes da Gazeta do Povo, portadores do cartão fidelidade Disk Ingressos, clientes Clube Hits, Sócio Torcedor Coritiba, associados AOB e ao Clube da Alice possuem 50% de desconto na compra de até dois ingressos.  Promoções não cumulativas com descontos previstos por Lei.

Para recordar veja como foi a passagem de Alice Cooper na capital paranaense em 2007 na cobertura deste que escreve em matéria publicada na época no whiplash.net:

As aventuras de Alice Cooper em Curitiba

12/06/2007

A passagem de Alice Cooper na capital paranaense foi uma grande festa para os admiradores de Hard Rock. Desde sua chegada no dia 08 de junho, o cantor atraiu a atenção de fãs e curiosos. A portaria do hotel Sheraton, em que estava hospedado, se tornou um espaço de debate sobre a carreira do cantor. Muitos fãs demonstravam raridades em vinil do lendário roqueiro, enquanto faziam plantão para encontrar o ídolo. Um deles tinha a edição importada em vinil de “Easy Action” (1970). “Este eu comprei via contrabando na década de 70”, disse.

Com dois dias para descansar antes da estreia de “Psycho Drama Tour”, Alice Cooper e banda aproveitaram para passear e praticar esportes. Na véspera da apresentação, o cantor madrugou e foi jogar golfe. No período da tarde, ele e sua filha Calico (a atriz que representa a enfermeira no show) caminharam pela Avenida Sete de Setembro para fazerem compras no Shopping Curitiba e no Crystal.

No retorno do cantor ao hotel, alguns fãs se impressionaram com as roupas de Alice Cooper. Com boné, calça de malha, camiseta branca e tacos de golfe, o cantor atendeu todos os admiradores com autógrafos e poses para fotos. Os fãs que estavam presentes não esperavam tanta simpatia e disposição. O impacto foi grande. Inconscientemente ninguém estava preparado para um Alice Cooper sem roupas de couro e maquiagem.

Além da presença de Alice e membros da equipe, muitas informações causavam ansiedade aos fãs que permaneciam em frente ao hotel. Um dos motoristas dos músicos noticiava fatos interessantes sobre a banda e o show. “Acabaram de construir uma forca enorme no palco. Desta vez ele será enforcado”, ironizou o motorista.

Os músicos de Alice eram vistos constantemente caminhando pelo bairro Batel. O entra e sai de fãs e músicos era grande no hotel. O baterista Eric Singer, que permaneceu por um bom tempo no bar da recepção acessando sites de relacionamentos em um laptop, demonstrou vontade de conhecer bares de Curitiba. O atual “catman” perguntou a alguns fãs onde se localizava o bar Crossroads. “Hoje queremos sair. Nos indicaram um bar de rock clássico que tem aqui perto”, disse.

Após ser recomendado, Singer foi ao pub e surpreendeu todos com uma canja ao lado da banda curitibana Crackerjack. O baterista assumiu as baquetas e tocou “Shock me”, uma canção de sua banda titular – o Kiss. Os fãs do grupo de Paul Stanley e Gene Simmons demoraram para acreditar no que estava acontecendo.

A admiração de Singer pelo astral intimista do bar foi tão grande, que ele acabou voltando no dia seguinte, após o encerramento do show do Guaíra. Na ocasião, a banda que se apresentava era a Nega Fulô. No meio do repertório “Disco”, o vocalista agradeceu os companheiros de Cooper de maneira um pouco constrangedora. “Queremos dar as boas vindas aos músicos do Alice in Chains”. Nem precisa dizer mais nada.

Os demais músicos de Alice Cooper não deixaram de aproveitar parte da folga para procurar instrumentos de trabalho como guitarras, baixos e amplificadores. Os guitarristas Jason Hook e Keri Kelli e o baixista Chuck Garric pediram para o proprietário da Loja do Músico para abrir o estabelecimento e testaram todos os equipamentos. Apesar de confirmar a qualidade dos instrumentos, acabaram não comprando nada. “Os instrumentos são bons, mas estão muito caros aqui no Brasil”, afirmaram.
Como foi o show

O show de Alice Cooper na capital paranaense não foi apenas uma apresentação de sua turnê. O evento se caracterizou como a inauguração da “Psycho Drama Tour”, causando ansiedade aos fãs de todo o Brasil, que não sabiam como seria o repertório do cantor. Outra curiosidade era o roteiro do show. Muitos admiradores acreditavam que os efeitos especiais e os números teatrais seriam semelhantes aos do show “Brutally Live” (2000) e do material “Alice Cooper Box – Collector’s Edition”.

O circo do horror começou pontualmente às 20h, no dia 10 de junho e utilizou como cenário o Teatro Guaíra. Muitos fãs contestaram o lugar em que o show foi realizado, mas após a apresentação confirmaram que a cidade não apresenta outro local para suportar o espetáculo.

Ao ser questionado sobre a realização de shows em teatros, o baterista Eric Singer defendeu a iniciativa. “É mais fácil para obter um som de qualidade e montar todo o cenário. Gosto de tocar em teatros. É melhor para a banda e para o público”, disse.

O público que presenciou a abertura da turnê mundial de Alice Cooper não lotou o Guaíra. O motivo foi o preço do ingresso. A entrada inteira para a plateia custou R$ 200. Muitos fãs deixaram de ir ao teatro por causa do preço elevado

A abertura do show foi extremamente criativa. Em uma cortina, a sombra de Alice Cooper apareceu com sua cartola e bengala, fazendo pose para a plateia. Após o público aplaudir com euforia, o verdadeiro Alice Cooper entra no palco e enterra uma espada no peito do falso Alice Cooper, representado na sombra anterior.

A canção que dá início ao espetáculo é “It’s hot tonight”, que apresentou falhas iniciais no som, que com o decorrer da execução foram consertadas. O público nem notou por estar com a atenção presa ao cenário do palco e à presença do cantor. Em seguida, a banda expôs uma série de clássicos dos anos 70 como “No more Mr. Nice Guy”, “Under my wheel”, “I’m Eighteen” e “Is it my body”.

Com o público conquistado no início do show, Alice cantou o novo clássico “Woman of mass destruction”, do disco “Dirty Diamonds” (2005) e “Lost in America” do CD “The last temptation” (1994).

No decorrer do show, a banda aproveitou a ocasião para apresentar canções mais obscuras. Um dos fatos que chamou a atenção foi o intervalo entre as músicas. O grupo, praticamente, emendava todas e encarava o concerto como um teste. É relevante mencionar que a turnê começou no meio das gravações do novo disco “Along came a spider”, que será no formato duplo e conceitual sobre a trajetória de um serial killer.

A apresentação voltou a aquecer os fãs curitibanos em “Welcome to my nightmare”, iniciando mais uma série de clássicos setentistas. O momento mais esperado aconteceu após “Only women bleed”. Ao começar “Dead babies”, o público percebe que a execução de Alice Cooper está próxima. Em “Dwight Frye”, Alice é preso na camisa de força até ser levado à forca.

A apresentação fechou com “School’s out” e “Billion dolar babies”. É incrível como “School’s out” tem mais poder ao vivo do que no disco. A exposição da canção no final do repertório é bem adequada.

No bis, Alice cantou “Poison” (seu maior clássico na década de 80) e terminou a apresentação, definitivamente, com “Elected”, pedindo votos ao público.

 

Foto do show no Guaíra em 2007: Suelem Rocha

 

Set-List:
It’s hot tonight
No more Mr. Nice Guy
Under my wheels
I’m Eighteen
Is it my body
Woman of mass destruction
Lost in America
Be my lover
Raped & Freezin
Long way to go
Muscle of love
Public Animal
Desesperado
Halo Flies
Welcome to my nightmare
Cold Ethyl
Only women bleed
Steven
Dead babies
Dwight Frye
Devil’s food / Killer / I love the dead
School’s out
Billion dollar babies
Poison
Elected