Lobão e Sepultura: a parceria que causa “mi, mi, mi” na esquerda brasileira

lobão e andreas

A parceria entre o Lobão e o Sepultura nem começou e já vem cumprindo a função contestadora do rock ‘n’ roll. Inúmeros militantes que defendem a corrupção e o retorno do partido que colocou o país na maior crise política e econômica dos últimos tempos no poder estão criticando a turnê devido à posição política do roqueiro Lobão. Já para os fãs do Lobão, tentar boicotar o trabalho em conjunto de dois importantes nomes do rock nacional não passa de uma postura antidemocrática natural a este grupo político, que sofreu o processo de impeachment.

Porém, o cantor Lobão que está acostumado às críticas e polêmicas desde o início da carreira não se abalou com o “mi, mi, mi” partidário e ideológico. Ao conceder entrevista ao jornal “O Globo”, Lobão demonstrou que está animado e que os shows vão fortalecer o rock nacional.

“Sempre admirei a banda, curto desde sempre. A gente tocar junto tem tudo a ver neste momento histórico brasileiro, em que o rock está meio dizimado, até mesmo por causa da autodestruição do segmento. Há muitas brigas, a imprensa não ajuda, os festivais são feitos de forma que não ajuda o rock brasileiro. Mas acredito que está nascendo uma nova cena.”, disse.

Para o músico, as críticas de alguns fãs do Sepultura têm caráter político, pois ele foi um dos únicos artistas da música popular brasileira que não adotaram a posição de chapa branca. É um ataque de setores da esquerda que foram expulsos do poder.

“As pessoas querem me aniquilar porque eu penso isso ou chouriço. Vários artistas foram evaporados por não concordarem com o status quo, mas as pessoas têm que entender que isso é antidemocrático. Se um povo atinge esse estado, é um sintoma de que estamos vivendo uma situação totalitária. Não por parte de um governo, mas da cultura”, disse Lobão ao “O Globo”.

Para à rádio Jovem Pan, o guitarrista do Sepultura, Andreas Kisser, argumentou que “vai ser show em conjunto com duas baterias no mesmo palco. Não serão apresentações separadas”.

Ele até disse que a banda sempre foi próxima ao Lobão, recordando a confusão que aconteceu no Rock in Rio 2 em 1991, quando Lobão foi vaiado pelo público adepto do heavy metal. Na época, ele tocou após o Sepultura e chamou uma escola de samba. Um fato que foi considerado ofensa ao público radical do início da década de 90.

“Muita gente vê o Lobão e o Sepultura como inimigos por causa da confusão do Rock in Rio. Mas ele na época estava à frente com o uso de escola de samba”, afirmou Andreas, que citou o sincretismo musical que pautou o Sepultura nos anos seguintes ao evento.

“Depois do Rock in Rio, o Sepultura passou três dias lá em casa”, afirmou o Lobão.

A turnê denominada como “A Chamada” por enquanto apresenta quatro datas: Belém (25 de novembro), Goiânia (09 de dezembro), Recife (10 de dezembro) e Vitória (17 de dezembro). “Batizamos com este nome porque é hora de o rock nacional voltar a ter criatividade e ousadia com dois importantes nomes para refletir o que fazer”, argumentou Lobão que afirma: “não quero que minha opinião política prevaleça sobre o projeto”.

Na foto: Lobão e Andreas Kisser em entrevista na rádio Jovem Pan.