Motorocker comemora 10 anos do primeiro disco com LP na Feira do Vinil

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No último sábado (17 de dezembro), estivemos no lançamento em vinil do primeiro álbum dos amigos do Motorocker: o recente clássico “Igreja Universal do Reino do Rock”. A iniciativa foi promovida pela banda curitibana para comemorar dez anos do trabalho na Feira do Vinil (Canal da Música), em Curitiba.

Vários fãs estiveram presentes para adquirir uma cópia autografada. Foram produzidos 300 exemplares na Europa. Segundo o vocalista Marcelus Motorocker, importar foi mais viável do que produzir o disco no Brasil.

“Começamos a vender aqui e acreditamos que logo esta tiragem vai acabar. Foi a maneira que encontramos para comemorar este importante fato com os fãs. Desde que lançamos o primeiro disco já vendemos 30 mil cópias, somando com os demais álbuns. É um recorde no mercado independente brasileiro, já que hoje em dia as bandas têm dificuldade para vender discos”, disse Marcelus.

Vale mencionar que após o “Igreja Universal do Reino do Rock”, a banda já lançou os álbuns “Rock na Veia” (2010), “Rock Brasil” (2014) e os dois singles “Vamo Vamo” (2008) e “Estação das Almas” (2012), sempre com boas vendagens.

Há nove anos este blogueiro que vos escreve redigiu a primeira resenha do álbum “Igreja Universal do Reino do Rock”, publicada então no site whiplash.net (um dos principais de rock do país). Já que comemoramos uma década de lançamento deste disco é bom recordar as impressões iniciais de dez anos passados. A resenha como foi publicada na época:

 

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Motorocker: álbum de estreia do ACDC brasileiro

Resenha – Igreja Universal do Reino do Rock – Motorocker

27 de dezembro de 2007

“Igreja Universal do Reino do Rock” é o nome do primeiro disco autoral da banda curitibana Motorocker. Gravado em 2006, o trabalho já emplacou alguns sucessos nas noites da capital paranaense e nas rádios locais como a faixa título, “Blues do Satanás” e “Salve a Malária”. Antes de estrear com um trabalho próprio, o grupo adquiriu maturidade com o lançamento de um disco tributo ao AC/DC no circuito underground de Curitiba.

O trabalho assume destaque devido à honestidade do Motorocker. Em nenhum momento a banda demonstra que deseja fazer uma música inovadora, que soe diferente de seus ídolos australianos: o AC/DC. Vale lembrar que, antes de seguir o caminho de composições próprias, a banda se consagrou como a principal banda tributo de AC/DC do mundo, recebendo o aval dos integrantes originais. Na turnê do disco Ballbreacker (1996), realizada também em Curitiba, os irmãos Young e Brian Johnson afirmaram que “era a melhor banda tributo que ouviram até então”.

Para provar a fidelidade aos australianos, a bolachinha é encerrada com bônus track da cover “Back in Black”. É incrível a dificuldade que se tem para diferenciar a versão da original. A canção também inspirou a concepção visual do CD. A capa preta com o logo da banda em branco lembra o disco “Back in Black”, que se tornou o segundo mais vendido da música pop no início da década de 80, atrás somente de “Thriller” de Michael Jackson.

O trabalho tem dez canções. Metade é cantada em português e o resto é em inglês. Nas faixas em português, é que a banda demonstra seu estilo. Nas faixas em inglês como “Rock ‘N’ Roll Old Fashioned” e “Shadow Road” não é difícil confundir com a banda dos australianos.

Em “Igreja Universal do Reino do Rock”, o grupo celebra a ideologia musical de maneira bem humorada. “Rogai por nós ó deuses do Rock. Mantenham-nos longe da música pop. E que se explodam essas modas do inferno. Estas drogas passam, mas o rock é eterno”, diz trecho da letra. Segundo a banda, a faixa título “cria o mundo ideal para os seus seguidores”.

Na maioria das canções, o grupo homenageia o público que acompanha o trabalho desde meados da década de 90, principalmente, em “Salve a Malária”.

Às vezes dá a impressão de se escutar Brian Johnson cantando em português, o que é engraçado e acaba imprimindo uma atmosfera de originalidade na música do Motorocker. Mesmo sem a intenção de ser diferente, o grupo consegue acidentalmente criar um estilo próprio.

O vocalista Marcelus Motorocker mantém o pique sem dificuldades. Fato justificado pelos inúmeros shows que realizou nas casas noturnas de Curitiba. Os riffs e solos do guitarrista Luciano Pico, como não poderiam deixar de ser, são inspirados no trabalho de Angus Young. A bateria de Juan exibe uma levada simples e segura como de Phil Rudd. O baixo marcante de Sílvio colabora com a cozinha que mantém o peso do Motorocker.

A produção do disco não pode deixar de ser mencionada. O som extremamente limpo não compromete o peso e só colabora com a qualidade final do trabalho. As dez faixas do CD resumem o estilo do Motorocker. Muito AC/DC somado ao bom humor brasileiro.

O disco de estreia da banda serve como um aviso à indústria da música. Em tempos de vacas magras no rock brasileiro, as grandes gravadoras poderiam deixar a exaustiva busca pela novidade e encontrar a felicidade no “bom e velho Rock ‘N’ Roll”.

(André Molina)