Análise aponta que manchas em praia de Matinhos são causadas por algas

Amostra da água do mar. Foto: Polícia Federal

Uma análise feita por técnicos do Laboratório de Ecologia e Conservação do Centro de Estudos do Mar (CEM) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) apontou, no início da tarde desta terça-feira (14), que manchas escuras vistas em uma praia de Matinhos, Superaguí e Pontal do Sul, no litoral paranaense, foram causadas por algas. A espécie Anaulus australis é inofensiva à saúde humana e até mesmo benéfica para o bioma.

As manchas apareceram no fim da tarde de segunda-feira (14) no Balneário de Albatroz. Moradores da região acionaram a Polícia Ambiental por volta das 17h30. Ao chegarem na praia, por volta das 18h, os agentes consideraram a possibilidade de que óleo poderia ter vazado de alguma embarcação ou do Porto de Paranaguá, a 30 quilômetros de Matinhos.

Ao menos duas manchas – cada uma com cerca de 400 metros, com uma distância de quatro quilômetros entre elas, foram vistas. Agentes da Polícia Ambiental fizeram registros fotográficos e acionaram o IAP. Por causa do horário, não foi possível concluir do que se tratava a mancha ainda na segunda-feira.

Na manhã desta terça-feira, técnicos da UFPR e agentes da Polícia Federal acompanhara policiais ambientais para vistoriar a região. A Polícia Ambiental informou que em três horas a análise da UFPR já concluiu a análise e constatou se tratar de um fenômeno causado por algas.

Fenômeno

Apesar da suspeita ainda persistente de que a mancha teria sido causada por poluição, especialistas consideram que o fenômeno da coloração de alguns pontos da água na praia é causado pela floração de microalgas. Isso ocorre com determinada frequência em várias regiões do mundo.

Mesmo antes da confirmação de exames, a bióloga Camila Domit, do Laboratório de Ecologia e Conservação do Centro de Estudos do Mar (CEM) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), já havia apontado a floração das algas como principal hipótese. “Eu nunca tinha visto uma concentração tão grande dessas algas aqui no nosso litoral, mas é muito comum acontecer na Praia do Cassino, no Rio Grande do Sul”, diz a especialista.

As manchas da floração, geralmente marrons, pretas ou vermelhas, aparecem pelo acumulo na superfície da água de pequenas algas, vistas somente no microscópio. Essas microalgas, que normalmente ficam no fundo do mar, são trazidas para cima pelas ondas, ventos e chuva, entre outros fatores.

“O efeito das ondas estimula toda reprodução dela. Ela (a alga) chega com as correntes mais frias, é comum de inverno, e reproduz de maneira mais intensa por conta desses efeitos de ressaca”, explica.

Saúde humana

O fenômeno não oferece riscos à saúde dos banhistas. Entretanto, as pessoas devem evitar as áreas com manchas, pois nelas podem estar alojados outros tipos de microrganismos que causam irritações na pele. Para os pescadores as microalgas são benéficas, já que atraem para a superfície peixes em busca de alimento. “Essa espécie não é tóxica, não temos nenhum relato de que possa causar algum dano à saúde humana ou à saúde da fauna. Pelo contrário, é uma das espécies principais para alimentar a tainha, por exemplo, várias espécies de peixes, baleias. Entre as algas presentes nas amostras, 98% é composto por Anaulus”, afirma Camila Domit.

Com a presença das algas, a água fica mais escura e deve permanecer assim por vários dias. “A floração está muito grande. Ela começou em Albatroz, mas não está só em lá. Hoje a gente monitorou a mancha de Betaras até Praia de Leste”.

As manchas serão monitoradas e serão realizadas coletas em cada quilômetro por onde ela passar. “As pessoas podem ficar bem tranquilas, não há registro de danos à saúde. O que pode ficar é um cheiro mais forte na água”, explica Domit.

O resultado de exames em amostras coletadas por técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) deve ser obtido somente em 15 dias.