Colega conta que atirador sofria bullying em escola

Reprodução/ TV Serra Dourada
Reprodução/ TV Serra Dourada

O ataque do adolescente autor dos disparos que mataram dois estudantes e feriram outros quatro no Colégio Goyases, escola particular de ensino infantil e fundamental, em Goiânia, nesta sexta-feira (20), teria sido motivado por bullying sofrido na escola. O autor dos disparos é filho major e de uma sargento da Polícia Militar.

Uma colega, aluna do 8º ano, relata que o menino era chamado de “fedorento” pelos colegas. “Ele era todo calado, ficava com os colegas lá e eu nunca falei com ele. Chamavam ele de fedorento. Um aluno, acho que foi ele que morreu, levou um desodorante para ele, porque ele não passava”, disse em entrevista à rádio BandNews FM.

bullying é uma situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por um ou mais estudantes contra um ou mais colegas.

“Tinha uma professora do meu lado e ela falou: deve ser experimento, que amanhã tinha um festival de ciências. Mas aí a (outra) professora gritou. É tiro, é tiro, ajuda aqui. Uma menina foi atingida no peito, do lado de trás, um foi atingido no braço, de raspão, outro nas costas de raspão, e tinha um menino caído no chão, com a boca toda sangrando em cima da mochila. Ele (o atirador) estava dentro da sala. Foram seis tiros, acho, provavelmente”, afirma a colega.

“Ela (a professora) falou que chutou o pé dele (atirador) e ele caiu. Aí ela correu. Ela estava atrás dele.”, conta.

O delegado Luiz Gonzaga, da Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais (DPAI), afirma que as testemunhas ouvidas relataram que o aluno não dava indícios de agressividade. “Mantinha um bom comportamento no colégio, nada que anunciasse uma tragédia como essa”, afirmou em entrevista à rádio.

O adolescente foi detido por dois homicídios qualificados e quatro tentativas de homicídio. O policial militar, pai do garoto, é ouvido na tarde desta sexta na Corregedoria da PM para explicar como o filho teve acesso à arma, que seria de propriedade do pai. O Ministério Público irá designar uma avaliação psicológica para decidir o procedimento que será adotado.

De acordo com o coronel do Corpo de Bombeiros, Adelino Matheus, quatro crianças foram levadas a hospitais em Goiânia sem risco de morte. O Hospital de Urgências de Goiânia informou que duas meninas e um menino estão internados na instituição.

“Foi somente uma arma só. A criança foi contida na coordenação da escola, foi retirado da escola depois. Está detido. A própria criança que atirou é da mesma sala de aula, com alunos de 14 a 15 anos. É uma situação muito triste, comove muito. Quando a gente faz um atendimento com criança, isso, com os bombeiros, com todas as pessoas, mas estamos aqui fazendo nossa parte”, afirma o coronel do Corpo de Bombeiros. “(O atirador) é filho de um militar, da Polícia Militar. O nome das crianças estamos preservando para não expor as pessoas. Não há professores e funcionários feridos”, afirmou o coronel.

De acordo com o Centro de Operações da Polícia Militar, uma professora fez a primeira ligação para o 190 para informar que um aluno atirou contra os colegas. O Instituto Médico Legal (IML) recolheu os corpos dos dois estudantes mortos por volta das 13h40.

Fachada do Colégio Goyases

Fachada do Colégio Goyases