Cura de menino é considerada milagre dos Pastorinhos de Fátima

Divulgação / Santuário de Fátima
Divulgação / Santuário de Fátima

Carla Guedes, Metro Jornal Maringá

O abraço de Lucas e do papa Francisco, em Fátima (Portugal), selou um processo que durou seis décadas. O menino paranaense, hoje com 9 anos, sofreu um acidente enquanto brincava e só sobreviveu graças a orações aos pastorinhos de Fátima. A recuperação de Lucas foi o milagre que permitiu, sábado passado, a canonização dos irmãos Francisco e Jacinta.

A intercessão dos pastorinhos aconteceu em 2013, após Lucas, com 5 anos, cair de uma janela a 6,5 metros do chão enquanto brincava com a irmã, Eduarda, em Juranda, município do centro-oeste do Paraná, a 170 km de Maringá.

Segundo relato dos pais, o garoto bateu com a cabe- ça no chão e teve traumatismo craniano grave, com perda de tecido cerebral no lobo frontal esquerdo. O trajeto de ambulância até a Santa Casa, em Campo Mourão, durou uma hora.

No hospital, Lucas teve duas paradas cardíacas e foi operado às pressas. Os prognósticos dos médicos não eram nada bons: ele tinha poucas chances de sobreviver e, caso se recuperasse, ficaria com deficiências cognitivas graves.

Os pais, João Batista e Lucila Yurie, e as irmãs carmelitas passaram a rezar para os pastorinhos de Fátima. Seis dias depois, Lucas foi desentubado e acordou bem. Saiu da UTI e teve alta.

“Está completamente bem, sem sintoma ou sequela. O que o Lucas era antes do acidente ele o é agora: inteligência, caráter; é tudo igual”, diz o pai. Os médicos não tiveram explicação para a recuperação do menino.

Foram quatro anos entre o início da investigação do milagre até a confirmação de que havia sido reconhecido pela igreja, em 23 de março.

Quem organizou o processo para o reconhecimento do milagre foi o padre Alfredo Rafael Barreto, chanceler da Cúria de Campo Mourão. Ele contatou testemunhas, juntou documentos e recebeu representantes do Vaticano.

A canonização dos dois irmãos que, ao lado de Lúcia, assistiram às aparições de Fátima, foi feita sábado (13) passado, no Santuário de Fátima, pelo papa Francisco. Lucas, os pais e o padre Barreto participaram da cerimônia, que reuniu 1 milhão de fiéis.

“Foi uma experiência extraordinária e o fato de o milagre ter sido no Brasil adquire significado porque este ano faz 100 anos das aparições de Fátima e 300 anos do encontro da imagem de Aparecida. Foi para confirmar que o Brasil tem feito o cultivo da fé. Estivemos diante de uma multidão movida por um só desejo: de estar na presença de Deus por Nossa Senhora”, descreve o padre.

Uma missa será celebrada, hoje, às 19h30, em Juranda, onde mora a família.

Processo de canonização

O que é?

É o ato no qual a Igreja Católica declara que uma pessoa morta é um santo. A canonização é feita pelo Vaticano e ratificada pelo papa.

Quem foi o primeiro santo?

Ulrich, bispo de Augsburg. Ele foi declarado santo pelo papa João 15, em 993. A canonização mais rápida foi a de São Pedro Mártir (de Verona), apenas um ano após sua morte. Quem mais esperou foi Joana D’arc, canonizada 450 anos após sua morte.

Como é o processo?

O candidato é investigado pelo bispo da diocese, que reúne material referente à suposta santidade, como escritos e relatos dos milagres. Depois, o bispo aponta um promotor da causa, para defender o candidato, e um “promotor da fé”, para checar e contrapor os argumentos. São necessários que ao menos dois milagres sejam comprovados para que aconteça a canonização.

Nossa Senhora de Fátima