Defesa Civil e Bombeiros fazem salvamento simulado para a retirada de moradores durante enchentes

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Por Pedro Ribeiro

O domingo é ensolarado. O helicóptero da Polícia Militar do Estado do Paraná pousa às 8 horas da manhã no gramado em frente a Escola Desauda Bosco da Costa Pinto, na pequena comunidade rural da Martha, em Morretes, onde residem perto de 200 pessoas. Aos poucos, vão chegando ônibus, vans, viaturas do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil, Polícia Militar e Prefeitura Municipal do Município.

As pessoas também vão aproximando e se aglomeram no portão da escola, aos olhos curiosos das crianças que fazem suas lições de cidadania orientadas por professores. A tenente do Corpo de Bombeiros e coordenadora da Defesa Civil do Litoral, Virginia Turra, começa a orientar as ações da “Operação Abandono da Comunidade da Floresta”, um simulado para retirada das pessoas das suas casas em caso de enchentes, como o desastre ocorrido em março de 2011 que arrasou a região.

O helicóptero deixa o campo e, 10 minutos depois, retorna com o cidadão Eurides Lucheta, 73 anos, proprietário de terra na Floresta. Pergunto: é a primeira vez que o senhor anda de helicóptero? Não! Responde, sorridente, vindo de Paranaguá. “Eu já fui resgatado da “estrada da pedra do querosene” na enchente passada, onde perdi quase tudo o que tinha.

O abrigo

Também ao lado da aeronave, dona Derci Freitas Fraga, moradora da Martha, estava, aparentemente, inquieta com a movimentação. “Eu nasci aqui na comunidade e quero aproveitar para fazer uma reclamação: estão jogando esgoto da escola no riacho”. Ela foi orientada a conversar com o secretário de Governo da Prefeitura, Jean Carlos Hunzincker, que acompanhava a operação militar.

Ao lado do Posto de Comando, estão o Capitão Gabriel, responsável pela operação, Major Ávila, Tenente Coronel Barros, da Defesa Civil, Dorival Borba, também da Defesa Civil e a tenente Turra. Chega o prefeito de Morretes, Osmar Costa Coelho (Marajá) e o secretário Hunzincker e a tenente começa a explicar sobre o simulado que objetiva socorrer famílias e levá-las ao abrigo, no Ginásio de Esportes da comunidade.

Mais de 40 pessoas fazem parte da equipe do Governo do Estado nesta ação preventiva. Em março de 2011, a região foi castigada pela catástrofe, quando uma vida foi perdida no local durante enxurradas e deslizamentos de terra. Também houve feridos, além de várias propriedades destruídas ou danificadas. Desde então, melhorias no sistema de monitoramento climático foram implementados pelo Sistema Meteorológico do Paraná (SIMEPAR) e Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (CEPDEC).

Radioamadores

No Ginásio de Esportes, foi feito um exercício educativo de abandono da comunidade. Neste treinamento, simulou-se que chuvas intensas atingiram a localidade e, por este motivo, as autoridades do CB e DC determinaram que as pessoas deixassem suas casas em favor de sua própria segurança. Com apoio de estrutura fornecida pelas Prefeituras Municipais, além dos órgãos já citados, 130 moradores foram retirados, sendo conduzidos ao ponto seguro da Escola Municipal Professora Desauda Bosco da Costa Pinto, na comunidade vizinha, denominada Marta.

Participou também da ação, o Batalhão de Polícia Militar de Operações Aéreas, fazendo a retirada de um morador que reside em área remota de difícil acesso, além de viaturas da Polícia Militar e Guarda Civil Municipal de Paranaguá, que garantiram a inviolabilidade do patrimônio, durante a ausência dos residentes. Ainda, com muito empenho, os integrantes da Rede Estadual de Emergência de Radioamadores, abrilhantaram o exercício, provendo comunicação eficiente em todo o perímetro.
Na Comunidade da Marta, os munícipes foram recebidos pelas equipes do Corpo de Bombeiros e Defesa Civil, sendo que fazia-se presentes o Coordenador Executivo da CEPDEC, Tenente-Coronel Edmilson de Barros e o Subcomandante do 8º GB, Major Edson de Oliveira Ávila, além do Prefeito de Morretes, Osmair da Costa Coelho, e do Secretário Municipal de Segurança Pública de Paranaguá, João Carlos Silva.

Vidas em jogo

O empresário rural, Waldomiro Persch, proprietário de área na Floresta, foi uma das vítimas da enchente de março quando perdeu 740 m2 de barracão de alvenaria, três casas, 200 animais e 60 toneladas de peixes. “É muito importante para todos nós, que queremos recomeçar, uma operação como essas, principalmente porque há vidas em jogo. É bom que os moradores saibam o que fazer em caso de enchentes e este simulado explica tudo”, disse.