Delegados mostram como ficou cadeia de Pato Branco após rebelião – Veja vídeo

Mais duas rebeliões em delegacias de polícia foram registradas no Paraná na última semana. Em Iporã, no noroeste do Paraná. Um agente da Delegacia foi feito refém. quando voltava com os presos do pátio para as celas. Em Pato Branco, ocorreu a situação mais grave, quando os presos da delegacia da 5ª Subdivisão Policial de Pato Branco, no sudoeste do Paraná, se recusaram a sair para o banho de sol da sexta-feira e tomaram a unidade. Os detidos quebraram paredes da delegacia e durante uma tentativa de negociação, o delegado-chefe Getúlio de Morais Vargas, acabou sendo agredido com água quente pelos detentos. Além do delegado, dois agentes foram atingidos e um deles teve o dedo fraturado.

A Associação dos Delegados de Polícia do Paraná (Adepol) diz que o quadro de rebeliões em cadeias localizadas em delegacias de polícia é resultado da política carcerária do governo do estado. De acordo com a Adepol, a principal causa do motim foi a superlotação da carceragem, projetada para 44 presos, que estava com 209, ou seja, com mais de 500% acima da capacidade. Desses, 100 já foram condenados e outros 40 progrediram para o regime semiaberto – todos já deveriam ter sido transferidos.

Pedro Filipe de Andrade, diretor jurídico da Adepol denuncia o colapso da situação das carceragens de delegacias no Paraná. O Estado é o único no Brasil a abrigar presos já condenados em delegacias, que foram transformadas em presídios improvisados e precários. Há cerca de dez mil presos em carceragens de delegacias. Do início do ano até agora, já foram registradas cerca de mil fugas.

“Não podemos mais suportar essa situação de insegurança tanto para os trabalhadores da Polícia Civil como para a sociedade. Delegados e policiais que estão desviados de suas funções, sem nenhum preparo para cuidar de presos, deixam de atuar na elucidação de crimes para vigiar presos 24 horas por dia. O resultado desse descaso do Governo do Paraná é que a sociedade está sujeita à impunidade e ao aumento da violência”, afirmou Andrade.
A associação divulgou imagens de como ficou a unidade após o motim. Das dez celas, com quatro camas cada, oito ficaram totalmente destruídas. Os  canos foram perfurados e estão com vazamentos contínuos de água. Os presos dormem no pátio até que a carceragem seja reparada.

“O Governo do Estado exibe que possui um sistema penitenciário considerado modelo, sem superlotação, com vagas de reserva. No entanto, não menciona que só consegue isso porque usa as delegacias de Polícia como presídios. Essas rebeliões são constantes e tendem a aumentar colocando toda sociedade em risco. Não adianta medidas paliativas como mutirões carcerários, liberando presos com tornozeleiras ou transferindo de uma delegacia pra outra. A única medida que resolve o problema é a construção de novos presídios, em áreas mais afastadas”, disse Andrade.