‘Ele apertou o gatilho, mas já estava sem balas’, contou pai de vítima de atirador

Reprodução / redes sociais
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Ivan Aragão, tio de Marcela Rocha Macêdo, de 12 anos, uma das adolescentes baleadas no Colégio Goyases, no início da tarde desta sexta-feira, disse em entrevista à rádio BandNews FM que o pai de Marcela trabalha no departamento administrativo do colégio e logo chegou à sala onde a filha foi baleada. O adolescente responsável pelo ataque chegou a apertar o gatilho da arma na direção dele, mas a munição havia acabado.

“Ela foi a última alvejada dentro da sala. Meu irmão, que é do administrativo, correu para sala, para socorrer, viu que algo estava acontecendo, e o rapaz ainda apontou a arma para ele, puxou o gatilho, mas não havia mais balas no revólver, senão ele também seria vítima do adolescente”, contou na entrevista.

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A menina foi a primeira a chegar no hospital. “Foi meu próprio irmão que colocou ela no carro dele e um outro rapaz que dirigiu pra eles. Ele veio bem na frente do Corpo de Bombeiros e do Samu”, contou.

O tio da vítima contou à rádio que o desespero do pai foi tanto que ele socorreu a filha com o próprio carro, antes mesmo da chegada das ambulâncias. Marcela Rocha Macêdo completará 13 anos na terça-feira da semana que vem. No fim do ano deve mudar para os Estados Unidos, onde mora a mãe dela. A adolescente planeja terminar o Ensino Médio lá fora, onde também quer cursar medicina.

A família da garota está no Hospital de Urgências de Goiânia, onde ela está na Unidade de Terapia Intensiva, em estado grave. A família aguarda por uma cirurgia para a retirada da bala, que está alojada nas costas da garota. Ela está consciente, mas respira com ajuda de aparelhos e passa por uma avaliação médica.

O adolescente de 14 anos que matou dois estudantes e feriu outros quatro no Colégio Goyases, escola particular de ensino infantil e fundamental, em Goiânia, nesta sexta-feira (20), é filho de policial militar e fez disparos contra colegas no colégio localizado no bairro Conjunto Riviera, em Goiânia.

 

Bulling

O jovem suspeito de ter cometido os disparos era do 8º ano e vinha sofrendo bullying de colegas, o que o teria motivado a usar uma arma que seria do pai para cometer o atentado. O autor dos disparos é filho major e de uma sargento da Polícia Militar. O bullying é uma situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por um ou mais estudantes contra um ou mais colegas.

Uma colega, aluna do 8º ano, relata que o menino era chamado de “fedorento” pelos colegas. “Ele era todo calado, ficava com os colegas lá e eu nunca falei com ele. Chamavam ele de fedorento. Um aluno, acho que foi ele que morreu, levou um desodorante para ele, porque ele não passava”, disse em entrevista à rádio BandNews FM.

Professora derrubou atirador

“Tinha uma professora do meu lado e ela falou: deve ser experimento, que amanhã tinha um festival de ciências. Mas aí a (outra) professora gritou. É tiro, é tiro, ajuda aqui. Uma menina foi atingida no peito, do lado de trás, um foi atingido no braço, de raspão, outro nas costas de raspão, e tinha um menino caído no chão, com a boca toda sangrando em cima da mochila. Ele (o atirador) estava dentro da sala. Foram seis tiros, acho, provavelmente”, afirma a colega.

“Ela (a professora) falou que chutou o pé dele (atirador) e ele caiu. Ela estava atrás dele”, conta.

Bom comportamento

O delegado Luiz Gonzaga, da Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais (DPAI), afirma que as testemunhas ouvidas relataram que o aluno não dava indícios de agressividade. “Mantinha um bom comportamento no colégio, nada que anunciasse uma tragédia como essa”, afirmou em entrevista à rádio.

O adolescente foi detido por dois homicídios qualificados e quatro tentativas de homicídio. O policial militar, pai do garoto, é ouvido na tarde desta sexta na Corregedoria da PM para explicar como o filho teve acesso à arma, que seria de propriedade do pai. O Ministério Público irá designar uma avaliação psicológica para decidir o procedimento que será adotado.

De acordo com o coronel do Corpo de Bombeiros, Adelino Matheus, quatro crianças foram levadas a hospitais em Goiânia sem risco de morte. O Hospital de Urgências de Goiânia informou que duas meninas e um menino estão internados na instituição.

“Foi somente uma arma só. A criança foi contida na coordenação da escola, foi retirado da escola depois. Está detido. A própria criança que atirou é da mesma sala de aula, com alunos de 14 a 15 anos. É uma situação muito triste, comove muito. Quando a gente faz um atendimento com criança, isso, com os bombeiros, com todas as pessoas, mas estamos aqui fazendo nossa parte”, afirma o coronel do Corpo de Bombeiros. “(O atirador) é filho de um militar, da Polícia Militar. O nome das crianças estamos preservando para não expor as pessoas. Não há professores e funcionários feridos”, afirmou o coronel.

De acordo com o Centro de Operações da Polícia Militar, uma professora fez a primeira ligação para o 190 para informar que um aluno atirou contra os colegas. O Instituto Médico Legal (IML) recolheu os corpos dos dois estudantes mortos por volta das 13h40.

Fachada do Colégio Goyases

Fachada do Colégio Goyases