Governo pede reintegração e Richa ataca ocupações em escolas

Beto Richa em Guarapuava
Beto Richa em Guarapuava. Imagem: reprodução / RPC

O governo do Paraná entrou com pedidos de reintegração de posse  dos colégios ocupados em todo o estado e espera para esta segunda-feira (10) a concessão de liminares. A superintendente da Educação no Paraná, Fabiana Campos, que são pelo menos 65 escolas ocupadas, em movimento que começou há uma semana contra reforma no ensino médio.

> Mapa interativo das ocupações no Paraná

Segundo a superintendente, o pedido de reintegração foi feito na última sexta-feira (7), frente à impossibilidade de diálogo com os estudantes. “Estive em diversas das escolas tentando conversar com os estudantes, argumentar que faremos um seminário para discutir a medida provisória, que vamos juntos conversar sobre isso. Mas não tivemos sucesso nesse movimento. então, solicitamos à Procuradoria-Geral do Estado um termo de reintegração de posse das escolas. Porque assim que temos os estudantes que quererem fazer o manifesto, temos também uma centena de estudantes que querem estar dentro da sala da aula”, afirma.

A superintendente acredita que as decisões pela desocupação dos colégios devem sair ainda durante esta segunda-feira (10). “As liminares, uma a uma, Curitiba, região metropolitana, interior, tem um processo um pouco mais complexo. Mas a medida que forem saindo vamos encaminhando às escolas”.

Fabiana Campos ainda destacou que a partir da tarde desta segunda-feira (10) estará disponibilizada no site da Secretaria uma ferramenta de consulta à comunidade escolar sobre a reforma do Ensino Médio.

O protesto dos alunos é contra as alterações previstas em Medida Provisória do governo federal e que será aplicada pelas gestões estaduais.

Richa fala em ‘baderna’

Depois de tentar acalmar os ânimos em pronunciamento na semana passada, o governador Beto Richa endureceu o discurso contra o movimento de ocupação dos colégios na última sexta-feira. Em evento em Guarapuava, Richa afirmou que os alunos não sabem porque estão protestando e ainda que são doutrinados pela esquerda.

“Não vão nos intimidar. Sindicatos ligados à CUT, ligados ao PT que querem a baderna no país, usando de forma criminosa as nossas crianças nas escolas que estão nas ruas protestando não sabem nem o quê. Numa perfeita doutrinação ideológica nas escolas do Paraná e do Brasil. Aqui talvez com mais intensidade, pela agressividade dos sindicatos daqui”, discursou.

Beto Richa ainda cobrou dos pais que conversem com os estudantes. “Eu peço aos pais e mães: cuidem dos seus filhos nas escolas. Conversem com seus filhos; ‘meu filho, por que está manifestando? Quem pediu para você fazer isso? Em nome do quê? De que causa?’. É uma doutrinação. Estão formando cidadãos amanhã que vão defender grupos extremistas, grupos de esquerda”, apelou.

Grave distorção 

Em nota divulgada no site da APP Sindicato, que representa os professores da rede estadual, afirmou que Richa tenta distorcer o movimento. “Essa afirmação de grave distorção para um governador eleito pelo voto popular, expõe mais uma vez o viés autoritário que se aprofundou neste atual governo a partir de sua reeleição em outubro de 2014. Desde aquele período tanto o governador como lideranças que o apoiam passaram a insistir na tese de partidarizar o debate sindical no estado”, diz a nota.

Nota da CUT-PR

“A Central Única dos Trabalhadores do Paraná – CUT PR, manifesta publicamente seu apoio às ocupações dos e das estudantes nas Escolas do Paraná e do Brasil. Pela imediata retirada da MP 746, os e as estudantes, através da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES), da União Paranaense de Estudantes Secundaristas (UPES), e dos diversos Grêmios Estudantis, protagonizam a importante luta por uma Educação Pública de qualidade, em defesa da Escola Pública.
No Paraná, desde o início do mês, dezenas de escolas foram ocupadas. Entendemos como justas e pertinentes as pautas dos e das estudantes e conclamamos toda a sociedade a apoiar e se engajar no processo de ocupação das escolas através das diversas atividades organizadas pelos próprios estudantes, como aulas públicas e atividades culturais.
As ocupações são pacíficas e os e as estudantes dão exemplo de organização e perseverança no enfrentamento às medidas autoritárias propostas pelo governo Temer. Por isso, nos somamos ao movimento estudantil na defesa dos direitos sociais e de uma Educação Pública de qualidade para todos e todas.
Por fim, repudiamos as declarações do governador Beto Richa, que tentam deslegitimar o auto-organizado e justo movimento dos e das estudantes de nosso estado.
Central Única dos Trabalhadores do Paraná

Nota PT

O Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores no Paraná (PT-PR) manifesta seu apoio à iniciativa do movimento estudantil em resistir, por meio da ocupação de escolas estaduais, à proposta de reforma do ensino médio contida na Medida Provisória (MP 746), do governo golpista de Michel Temer, que precariza a educação pública no Brasil, indo na contramão do Plano Nacional de Educação (PNE 2014-2024).
Assim como a PEC 241, que limita por 20 anos os investimentos em saúde e educação no Brasil, essa MP também afeta consideravelmente a formação integral dos estudantes ao limitar o acesso a conhecimentos científicos, historicamente produzidos pela humanidade. Este modelo proposto visa acelerar uma formação da classe trabalhadora voltada aos interesses do mercado de trabalho, além de favorecer à privatização do ensino público.
Os estudantes defendem mudanças no atual modelo do ensino médio, mas, sobretudo, reivindicam participar desse debate. Por defendermos também uma escola pública de qualidade e a garantia do estado democrático de direito, é que manifestamos nosso total apoio ao movimento dos estudantes no Paraná”.

Nota da União Paranaense dos Estudantes Secundaristas

“Nota da União Paranaense dos Estudantes Secundaristas em repúdio as declarações do governador Beto Richa.
A UPES ao longo dos seus 71 anos sempre esteve na luta em defesa dos estudantes e de uma educação pública de qualidade. Dentre as pautas do movimento estudantil está a Reformulação do Ensino Médio, uma reforma que atenda aos anseios tanto dos estudantes como dos trabalhadores da educação, tornando a escola pública mais inclusiva, atrativa, que diminua a evasão escolar.
No entanto, o governo ilegítimo apresentou uma proposta de reforma por meio de uma MP, em regime de urgência, sem um amplo debate com a comunidade escolar.
Essa MP vai contra tudo o que defendemos, entendemos que a escola é um espaço para o desenvolvimento do pensamento crítico da juventude, a reforma desconsidera a opinião de estudantes e educadores.
Mas não podemos esperar nada de diferente de um governo que não respeitou os votos de 54 milhões de eleitores.
Por fim, a UPES repudia as declarações do governador Beto Richa que desqualificam a luta dos estudantes e busca deslegitimar as ocupações, desconhece que as ocupações são uma reação a forma com que a educação é tratada.
Crescem no Brasil as mobilizações de estudantes que estão em luta em defesa de uma educação melhor para todos, convidamos aos pais e comunidade a ocuparem as escolas conosco, unidos somos mais fortes e lutaremos por um futuro melhor.
Só desocuparemos quando a MP for barrada e o governo federal estabelecer espaços de amplo diálogo com a comunidade escolar.
#OCUPATUDO”

Lista das escolas ocupadas até a manhã desta segunda-feira:

São José dos Pinhais
C.E. Elza Scherner Moro
C.E. Afonso Pena
C.E. Padre Arnaldo Jansen
C.E. Costa Viana
C.E. Silveira da Motta
C.E. Hebert de Souza
C.E. Chico Mendes
C.E. Juscelino K. de Oliveira
C.E. Pe. Antônio Vieira
C.E. São Cristóvão
C.E. Angelina Prado
C.E. Shirley
C.E. Guatupê
C.E. Lindaura Ribeiro
C.E. Estadual Ipê
C.E. Unidade Polo
C.E. Barro Preto
C.E. Zilda Arns
C.E. Tiradentes

Curitiba
C.E do Paraná
C.E. Algacyr Maeder
C.E. Teobaldo Kletemberg
C.E. Teotônio Vilela
C.E. Ernani Vidal
C.E. Brasílio de Castro
C.E. Benedicto João Cordeiro

Fazenda Rio Grande
C.E. Cunha Pereira
C.E. Anita Cannet
C.E. Lucy Requião
C.E. Jorge Andriguetto
C.E. Abilio Lourenço

Ponta Grossa
C.E. Ana Divanir Borato
C.E. Polivalente
C.E. Regente Feijó
C.E. Epaminondas Ribas
C.E. do Campo São Roque
C.E. Pietro Martinez
C.E. Meneleu Barros
Instituto de Educação de Ponta Grossa

Maringá
C.E. Brasílio Itibere
C.E. Tomaz Edison
C.E. Tânia Varella

Pinhais
C.E. Arnaldo Busato
C.E. Tenente Sprenger
C.E. Daniel Rocha
C.E. Castelo Branco
C.E. Amyntas de Barros
C.E. Mathias Jacomel

Cascavel
C.E. Castelo Branco
C.E. Santos Dumund
C. E. Olinda Truffa de Carvalho
C.E. Wilson Joffre
C.E. Horácio Ribeiro dos Reis
C.E. Jardim Clarito

Piraquara
C.E. Rosilda de Souza

Marechal Cândido Rondon
C.E. Frentino Sackser
Unioeste

Mandaguaçu
C.E. Parigot de Souza

Rio Branco do Sul
C.E. Maria da Luz Furquim

Londrina
C.E. Albino Feijó Sanches
C.E. Vani Ruiz Viesse
C.E. Maria Aguilera

Guaratuba
C.E. Zilda Arns Neumann

Toledo
C.E. Novo Horizonte

Balsa Nova
C.E. Juventude de Santo Antonio

Pato Branco
Colégio Estadual de Pato Branco

Matinhos
Colégio Estadual Sertãozinho

Pontal do Paraná
C.E. Sully da Rosa Vilarinho

Apucarana
Colégio Estadual Nilo Cairo, em Apucarana

Colombo
C.E. Vinicius de Moraes
C.E. Helena Colody

(Com informações de Cristina Seciuk, na CBN Curitiba)