Justiça determina exumação do corpo de homem que morreu em abordagem da RF

Foto: Reprodução / Facebook
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O juiz da 5° Vara Federal, Edilberto Barbosa Clementino, determinou, nesta segunda-feira (10), a exumação e reabertura das investigações sobre a morte de Ademir da Costa Gonçalves. Ele morreu após a abordagem por agentes da Receita Federal na aduana brasileira da Ponte Internacional da Amizade, em Foz do Iguaçu, em fevereiro deste ano.

Homem morre após abordagem da Receita Federal em Foz do Iguaçu

A decisão foi tomada após a divulgação do laudo pericial particular feito pela família e que vai de encontro com o laudo oficial feito pela Polícia Federal (PF). O primeiro, que culminou no arquivamento da investigação, apontou que Ademir morreu por asfixia causada por intoxicação exógena ocasionada pela ingestão de remédios. O segundo, feito pela família, apontou asfixia direta e indireta e não por intoxicação.

“Decido no caso em tela, em que pesem as diligências realizadas pelas autoridade policial e pelos peritos oficiais estarem finalizadas, insurgem-se os filhos de Ademir acerca do arcabouço probatório levantado pela investigação policial e, consequentemente, às conclusões a que chegaram a Delegacia de Polícia e Parquet Federal”, diz um o juiz no despacho. Ele também pediu que o delegado da PF que conduziu o cargo seja afastado e um terceiro seja indicado no lugar para reabrir o caso. A ideia, segundo o magistrado, é resguardar o agente e esclarecer dúvidas apresentadas pela família.

A abordagem

Um vídeo registrou a abordagem dos agentes da Receita Federal em Ademir. Nas imagens, o vendedor aparece imobilizado no chão, com as calças abaixadas e com a barriga para baixo. Após o fim da gravação, o homem teria tido uma convulsão e entrado em óbito. Uma viatura do Samu chegou a ser acionada, mas os médicos apenas atestaram a morte.

Na época, Thaís Claro Goulart, ex-companheira de Ademir, afirmou que foi ao IML identificar o corpo e o encontrou com muitas marcas. “Um laudo que tem aqui no IML fala que ele morreu de causa natural, mas eu vi o corpo. Ele está toco machucado, com a boca estourada, cabeça machucada. Tá muito feio”, declarou. Ela também afirma que os agentes usaram spray de pimenta e que o então companheiro seria alérgico.