Protesto começa a prejudicar fornecimento de combustíveis

Narley Resende

Com os acessos bloqueados por manifestantes desde a semana passada, a refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), da Petrobras, em Araucária, na Grande Curitiba, suspendeu o fornecimento de combustíveis e o abastecimento de postos em parte de municípios do Paraná começa a ficar prejudicado.

Segundo o Sindicato dos Distribuidores de Combustíveis (Sindicom), o bloqueio começou na sexta-feira (8). A ação é um ato de caminhoneiros e outros motoristas que protestam contra as altas consecutivas nos preços de combustíveis, além das taxas como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que varia de 20% a 40% conforme o Estado. A manifestação afeta ao menos seis Estados, como Goiás, Rio de Janeiro, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul.

O primeiro ato com bloqueio no Paraná foi registrado na quinta-feira (7). A partir de sexta, o ato prometia o desabastecimento. Nesta segunda-feira (11) motoristas já reclamam que não encontram combustíveis em postos de Curitiba.

O contador Hamilton Ronbaldi passou por um dos primeiros postos a sofrer desabastecimento de gasolina comum, aditivada e até etanol. “Aqui no Posto Pinheirinho, na Linha Verde, fui abastecer e já não tinha gasolina adjetivada, muito menos comum. Somente álcool e também estava acabando. Perguntei para o frentista e eles estão sem gasolina desde sábado”, contou à rádio BandNews FM Curitiba.

Renato Junior de Camargo contou que foi até um posto de combustível e soube do protesto após relato de um frentista. “Estava na bomba para abastecer e ouvi ele comentar com o outro que não conseguiria tirar a folga na quarta-feira porque não tinha gasolina. Aí perguntei e ele falou que a distribuidora não estão liberando. Ele falou que em alguns postos que ele sabe já estava em falta a gasolina”, relata.

Caminhoneiros em protesto em Araucária. Foto: colaboração
Caminhoneiros em protesto em Araucária. Foto: colaboração

A manifestação não tem uma instituição representativa definida. Os motoristas teriam se organizado por meio de aplicativos e grupos na internet.

Em nota, o Sindicom, que representa as empresas distribuidoras, afirmou que está atuando em conjunto com a Agência Nacional do Petróleo (ANP) para que seja garantida a normalidade do abastecimento. Em resposta ao protesto, a Petrobras disse que o petróleo tem os preços atrelados ao mercado internacional, que as cotações variam diariamente e que apenas 29% do preço final é de responsabilidade da estatal.

Veja a nota do Sindicom na íntegra:

“O Sindicom, com apoio da ANP, segue atuando junto aos estados para que que seja garantida a normalidade do abastecimento em diversas localidades do País. As manifestações nas portas das bases e terminais continuam interrompendo a distribuição de combustível, prejudicando o sistema de abastecimento desde a zero hora da última sexta-feira, 08/12.

Araucária

O Pool de Araucária está bloqueado, e levando-se em conta a importância da base para o Paraná e estados vizinhos, o abastecimento destas localidades está comprometido.

Ofícios estão sendo enviados, reforçando os que já foram remetidos na última semana, às Secretarias de Segurança Pública de PR/SP/PE/RS, solicitando às forças de segurança o desbloqueio do acesso às bases.

Bases em Paulínia (SP), Esteio (RS) e (PB), bem como o acesso ao Porto de Suape, em Pernambuco, que sofrem impactos de manifestações, no momento estão liberados.

Estão sendo observados, no País, focos de desabastecimento, e serviços essenciais, como polícia, hospitais, transporte urbano rodoviário e aeroportos podem ser afetados caso a operação de distribuição não seja normalizada.”

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