Repasse às escolas de samba cai pela metade

Escolas de Samba
Preparativos no barracão da Mocidade Azul: desfile de 2017 será mais modesto. Foto: Rodrigo Felix Leal / arquivo Metro

Rafael Neves, Metro Jornal Curitiba

A FCC (Fundação Cultural de Curitiba) anunciou um corte de custos para o Carnaval da capital neste ano. As cinco escolas do grupo principal, que receberam R$ 60 mil cada uma no ano passado para organizar seus desfiles, terão R$ 30 mil em 2017.

O motivo, segundo a prefeitura, é o corte de custos. “A medida foi tomada diante da disponibilidade de caixa da prefeitura. A prefeitura não pode dar cheque sem fundo. Vai ser menos do que nós gostaríamos, mas é o que nós podemos fazer no momento para continuar tendo o carnaval”, explica o presidente da FCC, Maurício Appel.

O motivo, segundo a prefeitura, é o corte de custos. “A medida foi tomada diante da disponibilidade de caixa da prefeitura. A prefeitura não pode dar cheque sem fundo. Vai ser menos do que nós gostaríamos, mas é o que nós podemos fazer no momento para continuar tendo o carnaval”, explica o presidente da FCC, Maurício Appel.

“Readequação”

A mudança impacta o pró- prio sistema de disputa do Carnaval. Neste ano não haverá o concurso com campeão, vice, e rebaixamento e acesso, apenas o desfile. “As escolas estão chateadas, mas a gente está fazendo pelo Carnaval, pela cultura e pelas comunidades”, diz Jefferson Pires, presidente da Imperatriz da Liberdade, escola do bairro Sítio Cercado que vai para seu quarto desfile em 2017.

Segundo Pires, a escola criou, em outubro de 2016, um barracão cultural em que oferece atividades como música e capoeira aos moradores. Com a queda no aporte, o projeto será suspenso.

“Ontem [terça] a bateria ensaiou, e depois do ensaio, eu falei: infelizmente a gente vai ter que fechar o espaço. O sonho infelizmente fica para trás, porque não tem como manter”, diz Pires.

O anúncio pegou os carnavalescos de surpresa. Como falta pouco mais de um mês para o desfile, a maioria já havia feito gastos prevendo o subsídio antigo. Dívidas com fornecedores de materiais terão que ser renegociadas.

“Eu já gastei um monte. Vamos fazer o Carnaval com o pires na mão, tentar levantar mais recursos nos ensaios… Nós temos crédito, mas o financeiro vai enfrentar uma batalha terrível”, prevê Altamir Lemos, presidente da Mocidade Azul, atual tricampeã do Carnaval curitibano.

Além de rolar dívidas, as escolas terão de deixar o desfile mais modesto. “Acredito que os carnavalescos estejam readequando o projeto, não tem como você realizar a mesma coisa com o aporte que você achava que ia ter. Quem perde é o Carnaval de Curitiba, que já não tem grade visibilidade”, avalia Bárbara Murden, ex-presidente da Acadêmicos da Realeza, vice-campeã nos últimos três anos e vencedora em 2013.

“Algumas escolas terão que reduzir carros alegóricos, uma ala que ia com 50 integrantes, vai com 40, 30… os cortes serão nesse sentido”, diz Lemos, da Mocidade Azul.

O regulamento deste ano, que sairá nos próximos dias, deve ter mudanças. O número de integrantes no desfile – que era no mínimo de 230 por escola em 2016 –, por exemplo, pode ser reduzido.

Divulgação

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Pré-Carnaval será nos dias 5 e 12 de fevereiro

Em dois finais de semana – menos do que em outros anos –, o pré-carnaval curitibano será mantido. Neste ano, a festa será nos dias 5 e 12 de fevereiro na Av. Cândido de Abreu, da “onça” do Centro Cívico até a R. Barão de Antonina.

O presidente da FCC, Maurício Appel, frisa que não haverá recursos públicos: o pré- -carnaval será todo bancado pela iniciativa privada. Segundo Appel, não foi possível fazer o mesmo com o Carnaval porque a legislação municipal proíbe que empresas de bebidas financiem o evento.

Cidades têm cancelado o Carnaval

Prefeituras de municípios de vários tamanhos têm cancelado seus carnavais devido ao corte de gastos. Campinas (SP), Santo André (SP) e São Gonçalo (RJ), por exemplo, anunciaram esta medida nos últimos dias.

Em Curitiba, a “readequação” do Carnaval não foi o primeiro impacto do ajuste fiscal na cultura. A Oficina de Música, que costumava ocorrer em janeiro, foi adiada para o segundo semestre.

Colombo não terá a Festa da Uva

A prefeitura de Colombo, na região metropolitana de Curitiba, cancelou ontem a Festa da Uva, que teria neste ano sua 54ª edição. A medida é parte de um ajuste fiscal que inclui uma redução de 20% no salário da prefeita Beti Pavin (PSDB), do vice-prefeito e de secretários.

A prefeitura informou que nos últimos anos o evento “se pagou” com patrocinadores, mas o município não poderia assumir riscos.