Ligada ao poder, família Rocha Loures sai de cena com prisão de Rodriguinho

Rodrigo Rocha Loures

 

Julio Cesar Lima, repórter do Paraná Portal nos brinda com este texto, inédito, sobre a saga Rodriguinho.

A família Rocha Loures ainda não digeriu a prisão de Rodrigo Santos Rocha Loures, o Rodriguinho, ex-deputado federal do PMDB, amigo e assessor do presidente Michel Temer, preso no início de maio, após ser flagrado carregando uma mala com R$ 500 mil que tiveram origens em propinas junto à empresa JBS.

Um dos integrantes da família, que pediu o anonimato recorreu a um velho ditado para resumir o que, na opinião dele, muitas pessoas próximas e do círculo familiar pensam. “Nem sempre tudo que parece é, às vezes por fora bela viola, por dentro, pão bolorento”, ironizou. Segundo ele, também faz sentido a saída de cena de Rodrigo Costa Rocha Loures, o Rodrigão, pai do ex-deputado.

“A maioria das pessoas da família tirou, inclusive, os filhos das escolas, meus filhos mesmo sofriam bullying dos colegas, foi ficando um clima insustentável e muitos resolvemos agir dessa forma”, lamentou.

A família Rocha Loures teve sua origem em Maringá e desde o século XVIII sempre foi sinônimo de poder. “Nossa família sempre esteve próxima do poder, exercemos também papel importante no desenvolvimento da região, mas sempre com ética; nunca tivemos um caso , algo parecido com o que aconteceu com o Rodriguinho”, comentou.

Segundo a fonte, a atitude de Rodriguinho mostrou que ele se deixou levar pelo poder. “Já vínhamos percebendo que ele estava em uma posição muito próxima, em um núcleo duro muito pequeno, mas nunca iríamos imaginar isso, esse fato abateu o pai, a todos nós, manchou o nome da família, ele se lambuzou com o poder”, concluiu.

O pai de Rodriguinho mantém o silêncio desde a prisão do filho. Na empresa Nutrimental, em São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba), onde ocupa uma cadeira no Conselho de Administração, não tem sido visto. Uma fonte ligada à empresa chegou a dizer, há alguns dias, que há também um “silêncio” total sobre o assunto e não há comentário algum sobre a prisão de Rodriguinho.

A empresa, responsável pela produção das barras de cereais Nutry, onde detém um quarto do mercado do setor, foi uma das que mais cresceram nos últimos anos. “Deixaram claro para todos que Rodrigo Santos Rocha Loures não tem ligação alguma com a empresa”, disse a fonte.

Os Rocha Loures são descendentes da família de Matheus Leme, fundadores de Curitiba, já a mãe de Rodrigão foi neta de Joaquim de Almeida Faria Sobrinho, o Presidente Faria.

O caso da família Rocha Loures, foi descrito em artigo das professoras Ana Crhistina Vanali e Katiano Miguel Cruz, publicado pela revista do Núcleo de Estudos Paranaenses (NEP), da  Universidade Federal do Paraná (UFPR).

No artigo, os professores usam a expressão “old money” – dinheiro antigo – para descrever essa dobradinha poder econômico e poder na política.

“Em uma das redes mais fortes de poder político e parentesco, os Rocha Loures mantêm-se até os dias atuais no poder. O trânsito da família Rocha Loures pelas elites e suas relações políticas, de parentesco e de poderio econômico faz com que a família garanta a colocação de parentes e correligionários em cargos estratégicos.”, diz trecho do texto.

Rodrigo Costa foi presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e chegou a ocupar um cargo no início da administração do atual presidente Edson Campagnolo, mas saiu ao romper com seu sucessor.

Sobre a possibilidade de Rodriguinho negociar e fazer uma delação premiada, o advogado de defesa de Rocha Loures, Cezar Roberto Bitencourt, negou, em nota, na última semana (7), qualquer possibilidade disso. “Conversei com o Dr. Rodrigo ainda hoje pela manhã e não só ele, mas toda a família, continua acreditando na minha orientação e está satisfeita com a decisão desta defesa de não admitir sequer falar em delação”, explicou em nota, após a possibilidade de delação ter sido veiculada por uma emissora de TV. (Por Julio Cesar Lima)