Lula, o chefe da quadrilha. Ninguém sabia?

Lula

 

 

Tudo pode piorar. A cada dia a sociedade brasileira é surpreendida com denúncias de roubos que prova náuseas em qualquer um. Por trás de tudo isso, conforme depoimentos de delatores ou envolvidos em escândalos, está o ex-presidente Lula, cuja travessia, do sertão nordestino ao centro do país, foi marcada lutas e até glórias. Mas, nesta caminhada, de pleno sucesso, acabou se lambuzando e, a exemplo de Collor de Mello, que queria ser rico do mundo, também vem sucumbindo.

Antonio Palocci resolveu abrir o jogo. Preso há um ano em Curitiba e abandonado pelos companheiros, quer, agora, passar a limpo toda a trama de corrupção que se instalou no Brasil a partir do governo petista de Lula e Dilma. Seus depoimentos são recheados de detalhes que envolve uma grande soma de dinheiro, exemplo do “pacto de sangue” entre Lula e Emilio Odebrecht que pode ter resultado em R$ 300 milhões em propina ao ex-presidente.

Joesley Batista também está com o couro negociado. O bilionário que viu o circo pegando fogo quis se safar mais nem para isto foi honesto. Seu objetivo era vazar do país com bilhões de dólares e empresas de sucesso nos Estados Unidos. Agora o procurador-geral da República, Rodrigo Janot quer anular sua delação por ter escondido fatos importantes em seus depoimentos.

Durante a conversa gravada com o executivo Ricardo Saud, Joesley Batista confessou seu plano: desestabilizar os Três Poderes, vender tudo, deixar o Brasil e “não voltar aqui mais nunca”. A estratégia era garantir blindagem em cinco operações policiais, nas quais era alvo, e passar a viver no Estados Unidos, onde o grupo controla 57 empresas.

 

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Segundo editorial do Estado, a denúncia contra Lula e seus correligionários é a quarta a ser apresentada pela PGR ao STF tratando de “quadrilhas” montadas por políticos para assaltar os cofres públicos. As outras três investigam os políticos do PP, do PMDB do Senado e do PMDB da Câmara. A demora na apresentação da denúncia contra a “quadrilha” petista é estranha porque, como o próprio Rodrigo Janot reconhece, esse grupo criminoso atua desde que o PT chegou ao poder: “Lula foi o grande idealizador da constituição da presente organização criminosa”, diz a denúncia, “na medida em que negociou diretamente com empresas privadas o recebimento de valores para viabilizar sua campanha eleitoral à Presidência da República em 2002 mediante o compromisso de usar a máquina pública, caso eleito (como o foi), em favor dos interesses privados deste grupo de empresários. Durante sua gestão, não apenas cumpriu com os compromissos assumidos junto a estes, como atuou, diretamente e por intermédio de Palocci, para que novas negociações ilícitas fossem entabuladas como forma de gerar mais arrecadação de propina”.

A gravidade dos fatos denunciados pela PGR a respeito de Lula e seus comparsas só pode surpreender a quem não conhece ou prefere esquecer o julgamento do mensalão, que culminou em dezembro 2012, quando a presidente já era Dilma Rousseff, com a condenação dos “guerreiros do povo brasileiro”, a então cúpula petista, por crimes como lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, peculato e gestão fraudulenta. Esse escândalo foi então considerado “o maior da história” no gênero. Tratava-se apenas do início do assalto aos cofres públicos sob o comando do PT no governo, que se ampliou com o chamado petrolão e resultou na Operação Lava Jato.

Essa é a primeira denúncia de Janot atingindo Lula, numa ação penal que tramita no STF porque um dos réus, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), tem direito a foro privilegiado. Na primeira instância, no caso do triplex no Guarujá, Lula foi julgado e condenado 20 meses após a apresentação da denúncia. Mas só agora chega ao STF a acusação de que Lula chefia uma quadrilha. Até a terça-feira passada, Rodrigo Janot não teve pressa. A sangria desatada ocorreu quando o procurador-geral, objeto da incontinência verbal de Joesley Batista, de pedra virou vidraça.