O apelo e a vergonha dos políticos no dia seguinte

Brasília

 

Dois breves depoimentos, ou seja, poucas palavras, me chamaram a atenção, neste domingo, durante entrevista na Globo. Fernanda Montenegro, 88 anos, ícone da televisão e do cinema brasileiro, disse que falta, hoje, no Brasil, do ponto de vista político, é sinceridade. Já a também atriz, Laura Cardoso, 90 anos, foi mais profundo: só faltou pedir pelo amor de Deus para que nossos políticos tenham consciência do que estão fazendo e não estraguem o futuro de nossos jovens. Não falaram desse ou daquele político como costuma os atores e atrizes da Globo de defender principalmente o ex-presidente Lula. As históricas e patrimônio da cultura brasileira apenas pediram que se faça política com decência.

Bem, hoje, segunda-feira, ao ler a coluna do jornalista Cláudio Humberto, a cena da safadeza se repete. Segundo ele, o Congresso está de recesso desde o já longínquo 20 de dezembro de 2017, mas deputados e senadores torraram R$ 3,5 milhões da “cota parlamentar”, aquela verba usada para indenizá-los de qualquer despesa, apesar de nesse período não exercerem qualquer atividade parlamentar. Em média, cada deputado teve R$ 6,4 mil reembolsados no recesso. No Senado, o reembolso foi de R$ 2,1 mil por parlamentar.

Quatro deputados e o senador José Medeiros (MT) receberam mais da cota parlamentar no mês de recesso do que o salário de R$ 33.763.

  •   O campeão de gastos com o “cotão de férias” foi o deputado Victor Mendes (PSD-MA), que teve R$ 39 mil reembolsados em janeiro.  Nivaldo Albuquerque (PRP-AL), Ricardo Teobaldo (PE), Silas Câmara (PSC-AM) também gastaram mais que o teto constitucional com a cota.
  • Somente no ano passado, a “cota parlamentar” arrancou do bolso dos contribuintes mais de R$242,2 milhões.