O desmonte da maior frente de combate à corrupção no país

Foto: Rodolfo Buhrer/Paraná Portal

 

Embora o Ministério da Justiça sustente que a redução de pessoal e cortes de verba na Polícia Federal não vão atrapalhar a Operação Lava Jato, não essa a leitura que fazem os procuradores no Paraná. Como já publicamos aqui, o desmonte da força-tarefa já resultou na redução do número de operações ostensivas, quando são cumpridas ordens de prisões, conduções coercitivas e buscas e apreensões.

Iniciada em 2014, a Operação Lava Jato é a maior frente de combate à corrupção já instituída no Brasil e sofre agora, justamente no calor do envolvimento de dezenas e centenas de parlamentares em denúncias de corrupção. Houve, inclusive, troca de ministro da Justiça, justamente porque o paranaense, Osmar Serráglio foi citado na Operação Carne Fraca.

Segundo informações da coordenação da força tarefa, nos primeiros seis meses do ano foram deflagradas quatro operações da Lava Jato, em Curitiba, originadas de investigações do Ministério Público Federal. Em 2016, dez fases das investigações tinham sido deflagradas, em igual período.

Após sucessivas tentativas de aprovar as 10 medidas contra a corrupção, com reações contrárias no Congresso Nacional, a pá de cal aconteceu na quinta-feira da semana passada, quando Superintendência da PF no Paraná anunciou a extinção do Grupo de Trabalho que, desde 2014, atuava exclusivamente nas investigações do mega esquema de cartel e corrupção, descoberto na Petrobrás.

A força-tarefa do Ministério Público Federal viu a medida como um “desmonte” da Lava Jato, deflagrado no final de 2016, e pediu sua revisão.Para o comando da PF no Paraná, essa redução é natural com o surgimento de investigações da Lava Jato em outros estados. São 16 unidades da federação atualmente com apurações do escândalo.