Os problemas agora são de governabilidade e insegurança

Foto: José Cruz/Agência Brasil

 

O ponto de interrogação continua pairado sobre a nação. E agora, como fica? Pesa sobre os ombros do ministro Edson Fachin, assegurar a tranquilidade no país. O que vimos nesta quinta-feira, como parte da delação que foi divulgada pelo empresário Joesley Batista, foram fragmentos de frases transcritas de uma gravação feita por aparelho escondido no bolso do paletó e, por si, não representa um material explosivo como foi divulgado em tom sensacionalista pelos principais veículos de comunicação do país.

Isto, no entanto, criou um fato político gravíssimo para o presidente Michel Temer que veio a público sustentar sua posição de não renunciar e, ao reunir sua tropa de choque, pediu dureza contra aqueles que querem a ingovernabilidade do país. A tentativa inicial de encurralar o chefe da nação parece que não funcionou, mas o estrago foi grande, não apenas para Temer, mas para o País que viu dólar subir, bolsa de valores cair e focos de descontentes pipocando em todas as partes.

No Congresso Nacional, políticos oportunistas, como da Rede e do PPS, se apressaram em pedir impeachment do presidente baseados na interpretação de tráfego de influência no caso da queda da taxa de juros do Banco Central, fato que normalmente acontece no País nas reuniões do Copon. O Banco Central informou o óbvio que não há possibilidade de que Temer tenha tido conhecimento antecipado de uma decisão sobre juros.

Em editorial de hoje, o Estadão toca no assunto, dizendo que “não é de hoje que há vazamentos desse tipo – e isso só pode ser feito por quem tem acesso privilegiado a documentos sigilosos. Ao longo de toda a Operação Lava Jato, tornou-se corriqueira a divulgação de trechos de depoimentos de delatores, usados como armas políticas por procuradores. O vazamento a conta-gotas das delações dos executivos da Odebrecht que envolvem quase todo o Congresso Nacional, mantendo o mundo político em pânico em meio a especulações sobre o completo teor dos depoimentos, foi um claro exemplo desse execrável método”.

O Estadão avalia também o ponto de vista dos delatores: “Enquanto isso, fica em segundo plano o fato de que Joesley Batista e outros delatores sairão praticamente livres, pagando multas irrisórias, embora tenham cometido – e confessado! – cabeludos crimes. Para honrar tão generoso acordo com o Ministério Público, o empresário saiu por Brasília a armar flagrantes, com gravador escondido no bolso, a serviço dos que pretendem reformar a política na marra”.

Nesta sexta-feira, o presidente Michel Temer sustentou que não vai renunciar e determinou que seus aliados joguem duro para dar continuidade às reformas necessárias para o país no Congresso Nacional.

Em nota nesta quinta-feira, o dono da JBS, Joesley Batista, pede desculpas e se compromete a expor, com clareza, a corrupção das estruturas do Estado brasileiro e  reconhece ter errado.

“Concordamos em participar de alguns dos mais incisivos mecanismos de investigação existentes e nos colocamos à disposição da Justiça para expor, com clareza, a corrupção das estruturas do Estado brasileiro”, afirma a nota.

“Erramos e pedimos desculpa”. “Não honramos nossos valores quando tivemos que interagir, em diversos momentos, com o Poder Público brasileiro. E não nos orgulhamos disso.”, diz a nota.

O dono da JBS afirma também que “o Brasil mudou e nós mudamos com ele”. “Por isso estamos indo além do pedido de desculpas. Assumimos aqui um compromisso público de sermos intolerantes e intransigentes com a corrupção”.

A própria Odebrecht, que roubou milhões dos cofres públicos também veio a público pedir desculpas. São empresários gananciosos que achavam que estavam acima da lei e que o ganho era a única coisa que importava em um país em desenvolvimento, com quase 15 milhões de desempregados, com sérios problemas na saúde e educação.

Tudo o que está acontecendo dá margem a um problema que poderá emergir a qualquer momento: insegurança.