AMOR E EMPATIA – Uma História de Recuperação: em comemoração aos dois anos de coluna

empatia

Há dois anos, mais precisamente em 14/10/2014, publicamos o primeiro artigo da coluna “Vamos falar sobre Drogas?”, e, sério, não pensei que chegasse a ter tamanho êxito; é lógico que sempre procuramos dar um pouco mais do melhor que temos para que o assunto do fenômeno das drogas pudesse ser mais discutido e informado. Com mais de 60 artigos publicados e algumas entrevistas chegamos a marca de mais de 50 mil compartilhamentos e na casa de dois dígitos de milhão em visualizações.

Então, para comemorarmos esses números, NÃO vamos falar sobre drogas, mas, sim, sobre uma crônica de recuperação e, como não deveria deixar de ser, uma singela homenagem à todos aqueles que dispensam e empregam, voluntariamente ou não, o cuidado e o amor para com o dependente químico

O tempo não a preocupava…frio, chuva, calor infernal, nada a fazia desistir de ir todos os dias, de segunda a segunda em uma Comunidade Terapêutica para conversar, mais ouvir e escutar do que falar, com os acolhidos que lá estavam em tratamento.

Vinha de longe, pegava dois ônibus e sempre alegre, nos olhos um brilho de animação ao chegar e de satisfação ao sair. Voluntária na Comunidade Terapêutica e cursando Assistência Social, a pequena senhora de seus 70 anos nunca se atrasava, chegava, metodicamente, meia hora antes para “bater um papinho” , como ela mesmo afirmava, com a equipe da casa. Amável com todos e afetuosa em seus gestos não dispensava um tempinho a quem quer que fosse, em qualquer momento, desconhecia os termos “daqui a pouco”, “já vai”, “falamos mais tarde” ou “agora não”.

Levava à todos os acolhidos paz, felicidade e bom humor em meio a angústia e ao tormento, calor humano e empatia ante aos gritos mudos da dor e aridez de sentimentos encobertos dos que lá buscavam uma recuperação em suas vidas.

Num desses dias, conversando com ela, perguntei quantos filhos ela tinha e se algum já tinha tido algum envolvimento com drogas. Parou, olhou com contentamento e satisfação e respondeu: – Depende e todos.

-Como assim? Depende e todos? – retruquei em seguida.

Com sua voz calma e serena explicou: – Meu filho, não tenho filhos biológicos, minha família são vocês, então, depende pois não sei quantos vão estar aqui em tratamento a cada dia que venho, mas todos que aqui se encontram sempre os considerarei e os amarei como meus filhos e, lógico, todos, pois se aqui buscam uma motivação e se reencontrar é porque, em algum momento, fizeram uso de drogas. 

Empatia é a capacidade que possuímos de entender a emoção dos outros. É a compaixão pela dor psicológica do outro, é o saber ouvir sem julgar, é ter paciência mesmo cansados, é o estar perto muitas vezes em silêncio, mas é necessário sempre que seja de coração para coração.