AS BIBIS DO MUNDO REAL

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“A primeira condição para modificar a realidade consiste em conhecê-la.”   Eduardo Galeano

Inspirada em “Fabiana Perigosa”, esposa do Barão do Pó da favela da Rocinha no Rio de Janeiro durante 10 anos, a personagem Bibi, interpretada por Juliana Paes, na novela das 21:00hrs da Rede Globo, tem sido motivo para muito debate e discussão sobre uma matéria vasta do cotidiano e que pouco era abordada nos lares brasileiros e nas conversas dos apaixonados e entusiastas das novelas, inclusive gerando uma polêmica quando da declaração de Juliana Paes de “guerreira” para quem inspirou seu personagem.

Embora a narrativa global e sua personagem estejam ocasionando um diálogo sobre as atitudes e comportamentos de uma mulher relacionada ao tráfico de drogas e o modo de vida destas mulheres, estamos ainda muito aquém das “BIBIS DO MUNDO REAL” e o resultado social e familiar decorrente da participação, cada vez maior, das mulheres no tráfico das drogas; e a maior consequência dessa participação no submundo do crime e tráfico ou um mundo paralelo, com normas diferenciadas e sincrônico contrários ao ordenamento legal vigente é, segundo o INFOPEN ( Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias), que a população feminina nos presídios subiu de 5.601 para 37.380 do ano de 2000 à 2014, crescimento de 567% contra a média do crescimento carcerário de 119% no mesmo.

Já em 2012 o número de prisões de mulheres por tráfico de drogas representava quase 65% do total de aprisionamentos contra quase 23% dos homens; e o perfil das mulheres encarceradas obedece uma tendência excludente indesejável, onde 50% tem apenas o ensino fundamental, 50% tem entre 18 e 29 anos, 68% são negras e 57% são solteiras e, aquelas casadas ou amasiadas, são abandonadas, quase na sua totalidade, pelos seus companheiros após a prisão efetuada. Ressalte-se ainda que a maior parte delas são Mães e cumprem pena em regime fechado e tiveram dificuldade ao acesso a um emprego formal.

Não obstante a participação das mulheres no universo do mercado das drogas não seja tão recente, desde o final dos anos 80 e começo dos anos 90 já se notava uma crescente participação do sexo feminino, pouco ou nada foi realizado até chegarmos a esta situação desordenada e babélica sobre a não condição de dignidade humana para com as mulheres dentro do sistema carcerário, onde existem pouco mais de 100 unidades prisionais destinadas exclusivamente às mulheres e em torno de 230 mistas, adaptadas precariamente, sem oferecimento de condições mínimas ou básicas para a reinserção social das apenadas e, muito menos para filhos que ficam com elas até uma determinada idade.

O sistema do trinômio “prender”, “julgar” e “condenar” está defasado, caquético e obsoleto e tem que ser substituído urgentemente por uma Política Pública Social sobre Drogas com a inclusão, no sistema judiciário, de medidas alternativas que contemplem um desenvolvimento social e educacional para TODAS as mulheres encarceradas, não importando a duração da pena para, assim, criarmos um cenário equitativo de “mais justiça” para com as mulheres, reconhecendo seu mérito e valor.