DROGAS: “A estreita ligação entre o álcool e a violência contra as Mulheres.”

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Arte: Gabriela Cecy Hauer (filha)

DROGAS: “A estreita ligação entre o álcool e a violência contra as Mulheres.”

De tempos em tempos somos “premiados” pela mídia televisiva com alguma reportagem sobre a violência contra a Mulher, geralmente casos de alguém famoso ou que busca os seus 15 minutos de fama. Noticiada esta violência, mais pelo lado sensacionalista, perde-se uma oportunidade, e quantas já foram perdidas, de utilizar de maneira clara e precisa dois fatores preponderantes causadores desta violência: o Álcool e o Machismo.

Em uma pesquisa realizada em 2004 pelo Ibope/Instituto Patrícia Galvão, com o modelo de respostas múltiplas, apontava, em 81% dos entrevistados, o álcool como fator predominante de agressão contra as mulheres. Em outras duas pesquisas executadas pelo Ibope/Avon em 2009 e 2011 o álcool aparece como fator inequívoco causal da violência contra as mulheres, 38% e 31%, respectivamente, perdendo o primeiro lugar para o machismo na pesquisa de 2011.

O National Institute on Drug Abuse (NIDA) revelou que em 2016 o álcool contribuiu para a morte de 26 mil mulheres nos EUA. No Brasil não temos este tipo de dado em relação de causa de morte entre o álcool para com as mulheres, mas, conforme o II LENAD (Levantamento nacional de Álcool e Drogas), dos 3,4 milhões de pessoas que fizeram o registro de violência doméstica, 50% adveio do uso abusivo do álcool.

O consumo de álcool no Brasil é 40% maior que a média mundial e o beber entre as mulheres, particularmente as jovens, vem aumentando exponencialmente, em especial atenção no modo de “beber em binge” (4 ou 5 doses no período de duas horas, uma ou mais vezes por semana), do primeiro (2006) para o segundo (2012) LENAD este índice de “beber em binge” aumentou quase 37%, pulando de 36% para 49% entre mulheres jovens. Além disso, no Brasil, uma mulher é agredida  a cada 5 minutos, 77% das que relataram viver em situação de violência sofrem agressões semanal ou diariamente e a cada duas horas uma mulher é assassinada.

Apesar de avanços em Políticas Públicas Sociais para com as Mulheres estamos muito aquém do desejado, quanto mais do ideal. É pressuroso e inadiável, que a sociedade civil organizada, se empenhe contra a inércia do setor público em aplicar uma Política Pública de Álcool eficiente e eficaz frente a submissão do lobby da indústria do álcool, enriquecendo poucos e devastando inúmeras famílias e carregando a triste ocorrência de ser a droga que mais prejuízos causa à sociedade. A participação de todos os setores governamentais e não govs é imprescindível para a estruturação e consolidação de uma Política Pública sobre Álcool e outras Drogas voltada para os grupos em situação de vulnerabilidade, entre eles os das Mulheres, além de que é DEVER de cada cidadão denunciar esta violência. DENUNCIE DISQUE 180.