Pérolas e Dependentes Químicos.

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Pérolas e Dependentes Químicos.

Ninguém escolhe ser dependente de algo…acontece, quanto mais ser dependente de álcool e outras drogas, SER UM DEPENDENTE QUÍMICO, mesmo quando a genética contribui para o fato, onde 30% dos DQs o são em decorrência da Hereditariedade…acontece, ninguém deseja, em sã consciência, sofrer e causar sofrimento.

Entretanto , o DQ, chega a um momento em que há a opção, a possibilidade de modificar esta situação de “não vida”, onde prevalece o discernimento, no sentido mais profundo da palavra, do latim “discernere”, dividir, separar, refletir e escolher uma mudança, um novo caminho. Não é fácil, mas é possível.

O fantástico Rubem Alves, em um de seus textos mais incríveis já relatava que “ostra feliz não faz pérolas” e que, naquela ostra em que um grão de areia havia se instalado, havia dor, muita dor e, para livrar essa dor, pois do grão de areia não seria possível descartá-lo, teria que envolver esta partícula de areia com uma substância lisa, brilhante e redonda e, de todo seu sofrimento, surgiria algo notável, belo e encantador.

Assim o é também para com o dependente químico em recuperação, diariamente tem que construir uma pérola para envolver a angústia, a inquietude, a aflição e o sofrimento de uma doença que não se pode curar ou remover…como o grão de areia, mas, pode transformar esta tribulação, esta agonia em encanto. E, como Rubem Alves já destacava: “são os que sofrem que produzem a beleza, para parar de sofrer”, e não há algo mais belo do que Viver.