Incêndio que destruiu prédio histórico pode ter sido criminoso

Foto: Reprodução / Facebook / Rafael Greca
Foto: Reprodução / Facebook / Rafael Greca

Mariana Ohde e Jordana Martinez

O incêndio que destruiu o Palácio Belvedere, prédio histórico no bairro São Francisco, na região central de Curitiba, pode ter sido criminoso. Testemunhas afirmam que um homem foi visto saindo do prédio, na noite desta quarta-feira (6), logo que o fogo começou. O caso é investigado pelo Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), da Polícia Civil.

O prédio foi construído em 1915 e é tombado pelo Patrimônio Histórico do Paraná, além de ser uma Unidade Especial de Interesse de Preservação (Uiep). A construção estava abandonada e depredada.

Em junho, o prefeito Rafael Greca (PMN) assinou o decreto de transferência de R$ 1,073 milhão para o restauro do palácio, mas as obras ainda não haviam começado. A previsão era de conclusão em até 18 meses O prédio seria a nova sede da Academia Paranaense de Letras (APL).

No Facebook, o prefeito lamentou o incêndio e disse que o prédio será reconstruído. “Incêndio apagado. Suspeita dos bombeiros e Defesa Social de que foi criminoso. Bombeiros chegaram em 7 minutos. Vamos restaurar”, informou nesta manhã (8).

Em nota, a prefeitura de Curitiba disse que as investigações sobre as causas do incêndio estão sendo acompanhadas. O Corpo de Bombeiros e Polícia Civil trabalham com a possibilidade de ato criminoso. Agora, a área ficará isolada e, com base na perícia técnica, os danos serão avaliados e levantados os custos necessários para a recuperação e restauro.

Qualquer informação que possa auxiliar na elucidação das causas do incêndio ou de possíveis causadores, deve ser passada ao Disque Denúncia, pelo telefone 181.

Veja a nota da prefeitura na íntegra:

A Prefeitura de Curitiba está acompanhando as investigações do incêndio que atingiu, na noite de quarta-feira, 6, o Palácio Belvedere, no São Francisco. O Corpo de Bombeiros e a Polícia Civil estão investigando a causa do incêndio, com suspeita de ter sido criminoso.

O imóvel, símbolo da arquitetura art noveau, estava lacrado e passaria por reformas para abrigar o Observatório da Cultura Paranaense, da Academia Paranaense de Letras e um café escola do Sesc Paraná.

A Prefeitura de Curitiba autorizou neste ano o uso do potencial construtivo, no valor de R$ 1,073 milhão, para a reforma do imóvel. O projeto do restauro do Belvedere foi desenvolvido por arquitetos do Sesc em parceria com o Ippuc. O Palácio Belvedere, na Praça João Cândido, é um prédio tombado pelo Patrimônio Histórico do Estado no ano de 1966.

Leia a publicação do prefeito Rafael Greca na íntegra:

Lamentável incêndio no Belvedere do Alto de São Francisco me entristece e determina a recuperar o bem danificado. O prédio construído pelo grande prefeito Cândido de Abreu em 1915 tem recursos de Potencial Construtivo liberados por mim – no valor de R$ 1.140.000,00 – já depositados em conta para criterioso restauro.

Repetidas vezes este ano me ocupei do assunto travado por odiosa burocracia.

O projeto do IPPUC só não foi licitado porque aguarda liberação da Divisão do Patrimônio Histórico do Paraná.As chamas não nos derrotarão. Nem a burocracia. Vamos aguardar perícia dos bombeiros e assim que a burocracia permita nós começaremos a obra.

Curitiba terá de volta o Belvedere revitalizado de alguma maneira.

Palácio

Exemplar arquitetônico desenhado com linhas art nouveau, o prédio foi construído em 1915 pelo então prefeito Cândido de Abreu para ser um mirante no então ponto mais alto urbanizado da capital. A edificação teve outros usos, tendo sido, nos anos 20, sede da primeira rádio do Paraná, a Rádio Clube Paranaense.

Na década de 30 passou a ser Observatório Astronômico da antiga Faculdade de Engenharia do Paraná e, em 1962, sede da União Cívica Feminina Paranaense.

Anos mais tarde, em 2008, o prédio foi usado como posto da Polícia Militar e, entre 2012 e 2014, transformado no primeiro Centro Estadual de Defesa dos Direitos da População em Situação de Rua.

Foto: Divulgação / SMCS

Foto: Divulgação / SMCS