Abaixo-assinado pede que nova gestão mantenha Área Calma de Curitiba

Área Calma de Curitiba.

Um manifesto e um abaixo-assinado eletrônico pedem que a nova gestão da Prefeitura de Curitiba não aumente a velocidade permitida na Área Calma. A intenção é garantir a manutenção do limite de 40 km/h no perímetro de 140 quarteirões do Centro de Curitiba, uma área de 5,6 km².

A iniciativa, implantada na gestão do prefeito Gustavo Fruet, reduziu em quase 29% no número de acidentes na região. O “Manifesto em defesa da Área Calma, das Vias Calmas e da Coordenação de Mobilidade Urbana da Secretaria de Trânsito (Setran)” está disponível no site de petições eletrônicas Avaaz.

Na nova gestão, do prefeito Rafael Greca, a Setran ficou subordinada à Secretaria Municipal da Defesa Social. Uma das preocupações da mudança é a possibilidade de extinção de áreas como a da mobilidade urbana.

Um dos porta-vozes do grupo que pede a manutenção da Área Calma é o vereador Goura (PDT). Segundo ele, depois das eleições, não houve manifestação da Prefeitura de Curitiba sobre o futuro da Área Calma. Segundo Goura, representantes da sociedade civil organizada estão se mobilizando para evitar que o assunto tenha um tratamento político em vez de técnico, como ocorreu no período eleitoral.

“A gente está se antecipando, até porque a prefeitura ainda não se manifestou oficialmente em relação a uma possível revogação da Área Calma, porque entendemos que é necessário o debate, é necessário discutir este tema. É necessário que a gente entenda que Curitiba ainda tem um alto índice de óbitos no trânsito, em 2015, 184 pessoas morreram no trânsito”, explica, ressaltando que é necessária uma política que proteja os mais frágeis no trânsito.

O manifesto lançado na internet apresenta diversas estatísticas sobre a Área Calma de Curitiba. Uma pesquisa do Ippuc revela que 71,8% de ciclistas que hoje circulam pela Via Calma da João Gualberto e Avenida Paraná abandonaram a canaleta do ônibus expresso.

O documento indica também experiências semelhantes que tiveram bons resultados em diversas cidades do mundo, como Nova York, Londres, Roma e Barcelona. O manifesto apresenta, ainda, um estudo que mostra a relação entre a velocidade e a gravidade dos acidentes.

O vereador Goura afirma que a redução da velocidade não pode ser vista como transtorno, mas como forma de garantir um trânsito mais seguro. “A redução da velocidade não é para infernizar o trânsito de ninguém, e sim para criar um trânsito mais seguro, mais civilizado”, afirma.

Para o vereador, a sociedade precisa se envolver em todas as discussões necessárias para aperfeiçoar o projeto da Área Calma, sem que ele seja ameaçado. “Se temos que melhorar a sinalização, vamos melhorar a sinalização. Se precisamos melhorar a fiscalização, essa medida será tomada. Mas mais do que isso, é importante pensar a cidade como um todo. Não precisamos de medidas demagógicas, não basta querer aumentar a velocidade em 10 km/h, você vai dizer que não tem problema correr, quando, na verdade, tem sim”, diz, lembrando que as principais vítimas são crianças e idosos.

A Prefeitura de Curitiba informou em nota que “a Setran (Secretaria de Trânsito) ainda está fazendo um levantamento e ampliando os estudos dos resultados referentes a Área Calma em Curitiba. Os dados estatísticos da antiga gestão ainda não foram atualizados, assim as métricas não representam a realidade. Todos os assuntos pertinentes a mobilidade urbana da cidade, estão em análise de uma comissão”.

A prefeitura ressalta que a Setran vai apresentar uma posição nas próximas semanas.