“Capivara Amarela” surge como contrajogo de “Baleia Azul”

Reprodução Facebook Capivara Amarela x Baleia Azul
Reprodução Facebook Capivara Amarela x Baleia Azul

Para combater o “surto” do desafio “Baleia Azul”, o curitibano Sandro Sanfelice, de 28 anos, criou o desafio da “Capivara Amarela”, animal que se tornou símbolo da capital paranaense.

O jogo “Baleia Azul” propõe 50 desafios e sugere o suicídio como última etapa. Depois do internamento de uma série de jovens em Curitiba e Cascavel, no oeste do Paraná, virou alvo de investigação por uma força-tarefa criada no Paraná.

O “contrajogo” foi desenvolvido para dar apoio às pessoas que buscam esse tipo de atividade. Divulgado pelo Facebook, o desafio da Capivara ganhou apoio imediato nas redes sociais.

“Eu acredito que tudo que a gente faz para o outro, recebe de volta de alguma forma. Preciso de muita ajuda nesse novo projeto, principalmente de pessoas dispostas também a ajudar quem mais precisa!”, afirma o criador do desafio.

Sandro explica que o objetivo é ajudar, mas esclarece que a brincadeira não substitui tratamento médico: “Estamos aqui para ajudar essas pessoas de uma forma leve e lúdica, não estamos substituindo um tratamento médico profissional. Então, caso identifique que seu desafiante de fato precisa de ajuda profissional, converse com ele sobre essa possibilidade.”

Assim como no “Baleia Azul”, os participantes recebem 50 desafios separados em três categorias – iniciais, intermediários e avançados. Mas ao contrário do “jogo do suicídio”, as tarefas são positivas, como por exemplo identificar qualidades em si mesmo e nos outros, fazer doações de sangue, e fazer selfies dessas “boas ações”.

Além das tarefas, o jogo também conta com curadores que tem a missão de conversar com os participantes, identificar distúrbios psicológicos e dar orientações.

Baleia Azul no Brasil

Ao menos três estados brasileiros – Mato Grosso, Minas Gerais e Paraíba – também estão investigando casos de suicídio relacionados ao “Blue Whale”, ou desafio da Baleia Azul. A diferença desses casos para os de Curitiba é que foram registrados isoladamente.

A Polícia Civil de Minas Gerais informou que vai abrir um inquérito para apurar o caso de um adolescente, de 15 anos, encontrado morto em casa, em Belo Horizonte, no último fim de semana. Em Vila Rica (MT), uma adolescente de 16 anos cometeu suicídio na terça-feira, dia 11. Ela deixou duas cartas onde falava sobre as regras e a cronologia das ações a serem cumpridas e também apresentava cortes nas coxas e nos braços. Em Pará de Minas (MG), um jovem de 19 anos morreu no dia 12. À polícia, a mãe afirmou que o garoto também estava participando do “Baleia Azul”.

Na Paraíba, a Polícia Militar (PM) abriu no, dia 11, uma investigação para apurar a participação de estudantes de João Pessoa no jogo. As denúncias são de que alunos estariam participando do grupo e já teriam realizados “tarefas” de automutilação.

Já em Curitiba, os casos foram registrados simultaneamente, na madrugada de terça-feira (18). Em nenhum desses registros os jovens consumaram o suicídio. Foram quatro tentativas e quatro mutilamentos. A rede municipal de saúde teria registrado os cinco casos simultâneos entre adolescentes de 13 a 17 anos. Logo depois, durante o dia de terça, outros três casos.

Quatro foram atendidos na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Sítio Cercado, um na UPA Pinheirinho. Segundo a prefeitura, os adolescentes foram atendidos e encaminhados para acompanhamento nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) do município. Outro caso foi antendido no Hospital Santa Cruz Batel.

Procurada, a SMS não informou o estado de saúde dos pacientes citados.

Força Tarefa Baleia Azul

Nesta quarta-feira uma força-tarefa foi criada no Paraná para combater a onda de automutilação e tentativas de suicídios entre adolescentes em decorrência do jogo. Participam do grupo o Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), o Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas e Crime (Nucria), o Núcleo de Crimes Cibernéticos (Nuciber) e a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).