Com boneco de Moro, movimentos sociais fazem manifestação em apoio à Lava Jato

Foto: BandNewsCuritiba
Foto: BandNewsCuritiba

Em apoio ao juiz Sérgio Moro, nesta quarta-feira (13), dia em que Lula presta depoimento no processo sobre o terreno da Odebrecht que seria usado para a construção da nova sede do Instituto Lula, cerca de 40 manifestantes fazem uma manifestação pró-Lava Jato em frente ao Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba.

Ao lado de um boneco inflável com a imagem do juiz, e vestindo camisetas pretas e camisetas em verde e amarelo, os ativistas pedem para que os motoristas que passam de carro e que apoiam a Lava Jato buzinem em sinal de apoio à operação.

Em entrevista ao Paraná Portal, uma das organizadoras do movimento, Narli Resende, afirma que a manifestação é em apoio a uma nova geração de juízes que “estão fazendo toda a diferença no julgamento e no andamento de uma justiça mais célere, mais rápida e que tem uma visão de condenar quem tenha de ser condenado, independentemente de ser rico, pobre ou poderoso”, disse.

A ativista também comentou as declarações dadas pelo ex-ministro Antônio Palocci a Moro, na semana passada, que complica a estratégia de defesa de Lula. Segundo Palocci, o ex-presidente tinha consciência do esquema na Petrobras e teria recebido uma “pacote de propinas” da Odebrecht, que incluía o sítio de Atibaia, o terreno para a nova sede do Instituto Lula, além de R$ 300 milhões em dinheiro.

“Ele era muito íntimo do poder, passou no governo Lula, passou no governo Dilma, foi ministro, era íntimo do PT, e principalmente o que mais nos deixou indignados foi a sala de dinheiro do ex-ministro Geddel, que se dizia inocente. Eu achei particularmente, aquilo me machucou muito, porque a gente vê a prepotência dessas pessoas. O Joesley achando que compra todo mundo… mas eu quero deixar bem claro que nós não queremos vingança, queremos justiça”, concluiu.

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Denúncia

De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), Lula teria recebido o terreno do novo Instituto Lula, avaliado em cerca de R$ 12,4 milhões, como vantagem indevida por contratos da empreiteira com a Petrobras. A obra nunca foi realizada. O negócio, de mais de R$ 12 milhões, teria sido fechado com a intermediação do ex-ministro Antonio Palocci e de seu assessor, Branislav Kontic, também réus da ação penal.

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A denúncia também narra o fato de que Lula também teria recebido o apartamento vizinho ao que mora por meio de vantagens ilícitas. Nesse caso, o MPF aponta que foram usados mais de R$ 504 mil na compra do imóvel e que teria sido adquirido pelo engenheiro Glaucos da Costamarques, primo de José Carlos Bumlai, amigo de Lula, que seria uma espécie de testa de ferro da operação.

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