Curitiba inaugura observatório solar indígena nesta quarta-feira

Foto: Divulgação / Uninter
Foto: Divulgação / Uninter
Com Brunno Brugnolo | Metro Jornal Curitiba

O Dia do Índio, celebrado no dia 19 de abril desde 1943, será diferente em Curitiba. Nesta tarde, a cidade vai ganhar seu primeiro Observatório Solar Indígena. O monumento foi construído pelo Uninter (Centro Universitário Internacional) em seu campus Divina, bem no Centro da capital, e após sua inauguração poderá ser visitado gratuitamente pela população.

O observatório solar, formado por uma rocha no centro de uma circunferência, era utilizado por índios para orientação no espaço e no tempo. “Temos um professor que trabalha com a questão indígena e ele trouxe a ideia de fazer um observatório aqui na instituição à disposição da comunidade, como forma de ensinar sobre o tema de forma prática e atrativa, além de valorizar a cultura”, explicou a coordenadora do Mestrado Profissional em Educação e Novas Tecnologias, Siderly Almeida.

O professor do curso, Germano Afonso, vai fazer a partir das 16h desta quarta-feira a palestra de inauguração, que também terá o Planetário Móvel da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

O observatório solar construído pelo Uninter é uma réplica de monumentos encontrados em sítios arqueológicos no país, criados pelos povos guaranis do Paraná. Também é semelhante a outros da África, datados de antes da construção das pirâmides do Egito (entre 2630 a.C-2611 a.C). Formado por uma rocha vertical no centro de um círculo formado por rochas menores, o instrumento é divido em eixos (norte/sul, leste/oeste, noroeste/sudeste, sudoeste/nordeste). Os guaranis perceberam que o Sol sempre nasce a leste e se põe a oeste, e que dependendo da estação, o Sol nasce mais próximo do Sul (Verão) e o dia dura mais ou do Norte (Inverno), com o dia mais curto.

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Dependentes da natureza para sobreviver, os índios usavam o instrumento para vários fins: orientação geográfica, marcar o calendário para os melhores períodos para plantar ou colher, pescar e caçar e até mesmo para ter filhos. Para os tupi-guaranis, o sol tem grande significado religioso e é o principal regulador da vida na terra.

Para Siderly, o monumento vai ser importante para os alunos do mestrado e dos cursos de Licenciatura, que futuramente vão precisar trabalhar a cultura indígena em sala de aula – desde 2008 o tema é obrigatório nas disciplinas da Educação Básica. “Queremos que as prefeituras da região e as escolas em geral tragam seus professores e alunos para conhecer e aprender”, ressaltou a coordenadora. As visitas ao Observatório Solar Indígena serão guiadas e devem ser agendadas com antecedência pelo telefone (41) 2102-4939.