Família de copeira baleada por policial marca protesto para sexta-feira

Foto: Reprodução / Facebook
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Redação com BandNews FM Curitiba

Há quase um ano, a copeira Rosária Miranda da Silva foi baleada na cabeça por um disparo da policial civil Kátia das Graças Belo durante uma confraternização com colegas da empresa que trabalhava. Familiares e amigos marcaram um protesto para sexta-feira (8). O objetivo do protesto é relembrar o caso e pressionar o Tribunal de Justiça do Paraná a acelerar o julgamento de recursos da defesa da policial que a mantém em liberdade.

“A intenção é lembrar a população que o crime vai completar um ano e que ainda não houve decisão se ela vai à júri”, diz o advogado que defende a família da vítima, Ygor Salmén. O protesto é pacífico e terá concentração às 16 horas no local em que Rosária foi baleada, vai passar próximo da residência da policial e se dirigir para o Tribunal do Júri de Curitiba e finalizar na Praça Nossa Senhora de Salete, no Centro Cívico.

Em julho deste ano, o juiz Daniel de Avelar, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, decidiu levar a policial a júri popular. No entanto, a defesa da acusada entrou com recurso para tentar evitar o julgamento e a data ainda não foi marcada. O advogado Ygor Salmen diz que a família reclama da demora e diz que há uma sensação de impunidade.

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Relembre o caso

O crime aconteceu na madrugada do dia 23 de dezembro. A policial civil teria se irritado com o barulho de uma confraternização e disparado da sacada da casa em que mora, em Curitiba. A janela da casa da policial fica a 70 metros de onde estava a copeira que foi atingida na cabeça. Três dias depois do crime, a policial civil se apresentou na Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa como autora do disparo. Ela teria se irritado com o barulho e alega que atirou contra o chão.

Imagens de uma câmera de segurança flagraram o momento em que a mulher é atingida. Veja:

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De acordo com o delegado, uma árvore impede a visualização de um ambiente para outro. A policial disse que usou a arma para atirar no chão, mas o tiro recocheteou e acertou a vítima.

Em depoimento, ela disse à polícia que atirou a esmo. Na versão dela, a bala ricocheteou e atingiu a copeira, que chegou a ser atendida e levada ao hospital Cajuru, mas faleceu alguns dias depois.

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De acordo com a perícia, a bala veio da janela da casa de Kátia, ou de uma trajetória semelhante.

O laudo da reconstituição também aponta que o tiro não ricocheteou – ou seja, desviou e atingiu quem não devia – como a policial havia informado. Segundo o DHPP, o objetivo da perícia não foi para dizer quem atirou, e sim, se haveria a possibilidade do tiro ter partido da janela da policial. A reconstituição foi feita por policiais e peritos que estiveram no local onde Rosária Miranda da Silva foi baleada.

Rosária foi socorrida com vida após levar um tiro supostamente acidental da investigadora, mas não resistiu e morreu na UTI do Hospital Cajuru uma semana depois. No dia da morte, a Justiça negou o pedido de prisão da investigadora feito pela Polícia Civil. Para a juíza Ana Carolina Bartalamei Ramos, como ela se apresentou e confessou o crime, não haveria motivos para a detenção.