FAS quis forçar moradores de rua a saírem, diz defensoria

Foto: Defensoria Pública
Foto: Defensoria Pública

Metro Jornal Curitiba

Um trecho da Rua Cruz Machado próximo à Praça Tiradentes, no centro de Curitiba, foi palco de uma discussão entre um defensor público e agentes da prefeitura após uma abordagem a moradores de rua na manhã de ontem.

O ouvidor-geral da Defensoria Pública do Paraná, Gerson da Silva, passava pelo local, em frente à sede do órgão, pouco depois das 10h. Ele diz ter visto agentes prestes a recolherem pertences, tais como colchões e cobertas, de cinco pessoas – dois casais e uma idosa – para obrigá-las a deixar o local.

“Cheguei lá e vi uma viatura da Guarda, uma kombi da FAS e um caminhão da Prefeitura. Se não tivéssemos chegado ali, teriam retirado todos os pertences deles e jogado no caminhão, e eles não têm esse direito”, afirma.

A prefeitura diz, em nota, que já havia feito uma ação no dia 15, devido a reclamações para a central 156 de que as pessoas “vivem na calçada, portando vários colchões, e que urinam e defecam no local, causando mau cheiro”, e que repetiu a abordagem ontem devido a novas reclamações. A nota afirma, no entanto, que houve apenas orientação sobre os serviços oferecidos à população de rua e a “retirada do lixo orgânico”, como marmitas.

No fim das contas, o grupo permaneceu no local. “O cidadão da prefeitura me disse que o comerciante paga imposto e tem o direito de ter a calçada livre. Ora, quando a pessoa em situação de rua compra uma mercadoria ela também paga imposto, ela tem direito à cidade como qualquer outra”, argumenta Gerson.

Segundo a prefeitura, “técnicos da FAS relatam que o defensor público gritou com os funcionários da prefeitura e incentivou a população a se colocar contra a equipe”, que os comerciantes ficaram a favor dos técnicos e que a defensoria “proibiu inclusive a retirada do lixo”, o que Gerson nega. “A retirada do lixo é dever da prefeitura, não é disso que se trata”.