Júri: mortos por PMs eram ligados a facção criminosa, diz oficial

Foto: divulgação
Foto: divulgação

O julgamento dos 13 policiais militares acusados pelo Ministério Público pela execução de cinco homens, entra hoje no terceiro dia, no Tribunal do Júri em Curitiba.

Serão ouvidas 20 testemunhas de defesa e 19 delas são PMs. O Primeiro Tenente Azevedo, oficial da Corregedoria da Polícia Militar, foi ouvido no tribunal na manhã desta sexta-feira (6) e afirmou que os cinco mortos eram membros de uma facção criminosa que agia em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba.

De acordo com o advogado Claudio Dalledone, que defende os policiais, o tenente confirmou que os cinco estariam recrutando jovens da região para a organização criminosa. “O Tenente confirmou a informação e apontou os irmãos Tobias Rosa Lima e Salatiel Araão Lima como os líderes do grupo. Os irmãos, mortos no confronto, respondiam por homicídio, tentativa de homicídio, todos os crimes ligados ao crime organizado na região de Colombo”.

“O policial disse ainda que as cinco vítimas eram tidas como elementos perigosos na região. Segundo as investigações, a morte dos cinco trouxe alívio a comunidade que exercia a lei do silêncio com medo de represálias”, afirma Dalledone.

Para o Ministério Público, as provas mostram contradições na versão apresentada pelos policiais. Segundo o promotor Alexandre Ramalho de Farias, nesse caso a polícia agiu como um grupo de extermínio.

“O que temos são diversas provas, especialmente técnicas, que dão conta que essa versão não se sustenta. Todos os vizinhos dizem que no máximo teria acontecido três ou quatro disparos. Há uma filmagem, que na época houve muita publicidade, mostrando que os dois rapazes saem andando do veículo, são algemados e levados à viatura”, afirma.

Para Dalledone, todos os policiais envolvidos no caso serão absolvidos. “Expectativa positiva baseada no conteúdo dos depoimentos, com uma hipótese do Ministério Público que não se confirmou”, disse.

Iniciado na quarta-feira (4), o julgamento dos acusados de executar cinco suspeitos de um roubo de carro, em 2009, não terá desfecho rápido. São 56 testemunhas, entre acusação (10) e defesa (46), 12 interrogatórios dos réus, além do debate entre acusação e defesa, que ainda pode gerar réplicas e tréplicas.

O caso

Os policiais militares são acusados de executar cinco pessoas, em setembro de 2009, na região do Alto da Glória, em Curitiba.

As mortes aconteceram durante um suposto confronto com a polícia. O carro em que o grupo estava era roubado e teria furado uma barreira policial.