Sentença de PMs acusados de execução deve sair nesta segunda

Foto: Divulgação/ Assessoria de imprensa
Foto: Divulgação/ Assessoria de imprensa

O júri popular dos 12 policiais militares acusados de execução pelo Ministério Público (MP) chega ao sexto dia. A previsão é que a sentença dos jurados seja decidida entre a noite de segunda e madrugada de terça-feira (10). Este é considerado o maior júri já realizado no estado do Paraná.

O júri venceu a fase de interrogatórios na madrugada desta segunda, após mais de cinco horas de perguntas do oficial que comandou a operação no dia 10 de setembro, Tenente Otávio Lúcio Roncaglio. As oitivas terminaram depois da 1h da madrugada.

Hoje acontecem os debates entre acusação e defesa. A previsão é que os trabalhos durem cerca de 10h a 12 horas e, em seguida o conselho decide a sentença dos policiais.

Eles são acusados de homicídio qualificado, por motivo torpe e sem dar defesa às vítimas, e fraude processual por terem supostamente alterado a situação em que o confronto e mortes ocorreram.

“Toda essa produção de prova nos cinco dias foram suficientes para mostrar para o júri que houve um confronto”, afirmou o advogado dos policiais Claudio Dalledone Jr. Para ele, todos os policiais envolvidos no caso serão absolvidos. “Expectativa positiva baseada no conteúdo dos depoimentos, com uma hipótese do Ministério Público que não se confirmou”, disse. “Se esses policiais forem condenados, será a maior condenação de policiais da história do Brasil, a pena de todos, se somada, passará de 500 anos de prisão”, complementou.

Para o MP, as provas mostram contradições na versão apresentada pelos policiais. De acordo com o promotor Alexandre Ramalho de Farias, a versão da defesa não se sustenta.

“Todos os vizinhos dizem que no máximo teria acontecido três ou quatro disparos. Há uma filmagem, que na época houve muita publicidade, mostrando que os dois rapazes saem andando do veículo, são algemados e levados à viatura. […] O rastreamento de algumas viaturas indicam que, depois da rendição, (os policiais) se deslocam até o Atuba, que não é caminho para o Hospital Cajuru, onde as vítimas foram encaminhadas… Lá no Atuba são ouvidos (os disparos) por vizinhos e por um guarda municipal, no mesmo horário e data, cerca de 30-40 disparos”, argumenta Farias, promotor titular que busca sustentar, em plenário, a acusação.

O julgamento foi iniciado na quarta-feira (4). Nesta segunda serão seis horas de debate – três para a defesa e três para a acusação, 1h30 para réplica da acusação e 1h30 para a tréplica da defesa.

O caso

Os policiais militares são acusados de executar cinco pessoas, em setembro de 2009, na região do Alto da Glória, em Curitiba.

As mortes aconteceram durante um suposto confronto com a polícia. O carro em que o grupo estava era roubado e teria furado uma barreira policial. O Ministério Público do Paraná (MPPR), com imagens de câmeras de segurança e depoimento de moradores, defende outra versão dos fatos.