‘Uma atitude arbitrária que justifica o complô’, diz vereadora expulsa do Solidariedade

Foto: CMC

Expulsa do Solidariedade, a vereadora Katia Dittrich, investigada por supostamente se apossar de parte dos salários de ex-funcionários comissionados, comentou sobre o caso nesta quarta-feira (6). De acordo com a parlamentar, ela não teve oportunidade de se defender diante do partido e se sente indignada pela expulsão dois dias antes da divulgação do relatório final da Comissão Processante na Câmara de Curitiba.

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“Eu fico sabendo pela imprensa… Eu acho isso uma atitude arbitraria. Eu tenho endereço físico, eu trabalho aqui na Câmara e não recebi nenhum tipo de notificação. Só me traz indignação.
Por que dois antes do relatório final da comissão processante? Isso só justifica o complô. É isso que eu tento falar para a sociedade, eu sou inocente e vítima de um complô”, declarou Katia. “Eles querem meu sangue? Só vão ter no fim”, afirmou.

No documento, o presidente do Conselho de Ética do Solidariedade, Flávio Aurélio Nogueira Junior, diz que a vereadora foi chamada a apresentar sua defesa em “razão das graves acusações feitas, usurpação do salário de seus funcionários” [sic]. Em outro trecho, diz que Katia “simplesmente negou as acusações sem mencionar qualquer defesa, ou nomear qualquer testemunha em seu favor” e que “a argumentação utilizada pela filiada e vereadora não traz qualquer fato que anule as acusações impostas”.

Entenda o caso

Seis ex-assessores de Kátia dos Animais, como é conhecida, apresentaram comprovantes de depósitos bancários e termos de declaração em que afirmam terem sido demitidos depois de se recusarem a entregar parte dos salários para a vereadora. Elas foram ouvidas oficialmente pela primeira vez na Câmara dos Vereadores, no dia 26 de novembro. Foram ouvidas Luciana Chucene, ex-chefe de gabinete, e Virginia Vargas da Costa, ex-assessora de imprensa.

“Trabalhei normalmente no gabinete da vereadora Katia durante o mês de janeiro, até que ela me falou que assim que eu recebesse meu primeiro pagamento, eu deveria repassar à eles o valor de R$2.000,00, e justificou que seria para cobrir despesas das diversas atividades que pretendiam realizar, e que esta seria uma solicitação que ela estaria fazendo à todos os funcionários do gabinete, com exceção dos dois funcionários que foram nomeados com um CC8, por ser o menor salário (em torno de R$ 2.000,00)”, relata um dos denunciantes, que diz ter sido exonerado no dia seguinte à sua recusa à proposta.

“Em torno de 15 dias antes da citada assumir oficialmente a função de vereadora, ela e seu esposo, Marcos Whiters, estiveram em minha casa, e então para minha surpresa, me disseram que eu teria que contribuir com um valor de R$ 1.500,00 mensais do meu salário, o que seria uma prática que a ser realizada por todos os funcionários que fossem nomeados com o objetivo de manter algumas despesas que ela teria com o trabalho no gabinete”, cita um outro ex-funcionário.

Processo

Por unanimidade, os vereadores de Curitiba concordaram em abrir uma Comissão Processante, formada pelos vereadores Cristiano Santos (PV), presidente, Osias Moraes (PRB), relator, e Toninho da Farmácia (PDT), para apurar o caso, que pode resultar na cassação do mandato da parlamentar, e desde o dia 23 de agosto há coleta de evidências e tomada de depoimentos.

O relatório final será apreciado em sessão especial na sexta-feira (8), na qual “serão lidas as peças requeridas por qualquer dos vereadores e pelos denunciados, e, a seguir, os que desejarem poderão manifestar-se verbalmente, pelo tempo máximo de 15 minutos cada um, e, ao final, o denunciado, ou seu procurador, terá o prazo máximo de duas horas para produzir sua defesa oral”. Para a cassação do mandato, são necessários votos de pelo menos dois terços dos membros do Legislativo – 26 parlamentares. Se a marca não for atingida, ocorre o arquivamento do processo.

Com informações da CMC