Motoristas e cobradores rejeitam 3,81% de reajuste: “desaforo”

Ônibus
Foto: SMCS

Thiago Machado, Metro Jornal Curitiba

O Sindimoc (Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Curitiba) recusou ontem uma proposta de aumento salarial das empresas de ônibus. Os empresários ofereceram um reajuste médio equivalente a 70% da inflação (ou 3,81% no salários), já os motoristas pedem 15%.

“Essa oferta é um desaforo, isso nem pode ser chamado de proposta. Não faz jus ao nosso trabalho e à valorização dos profissionais”, reclamou o presidente do sindicato, Anderson Teixeira. Segundo dados divulgados ontem pelo sindicato patronal, os motoristas de Curitiba têm o segundo maior salário do país. Eles ganham R$ 2,2 mil, ou R$ 12,23 por hora.

MP dá prazo de 15 dias à prefeitura

O MP-PR (Ministério Pú- blico do Paraná) expediu nesta semana uma recomendação administrativa ao prefeito Rafael Greca (PMN) e ao presidente da Urbs (Urbanização de Curitiba S/A), José Antonio Andreguetto. O MP quer que, em 15 dias, o município defina critérios mais claros para as passagens vendidas antecipadamente. O MP quer garantir que as passagens compradas por um preço antigo permaneçam válidas mesmo após um aumento de preço.

O MP também pede que as passagens vendidas por antecipação sejam registradas nos balancetes do fundo de transporte, o que não acontece hoje.

Liminar do TJ mantém passagem de R$ 4,25

A prefeitura de Curitiba obteve ontem no Tribunal de Justiça uma vitória para manter o aumento da passagem de ônibus. Pela tarde, o desembargador Leonel Cunha, da 5.ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça, cancelou a medida cautelar emitida pelo conselheiro Ivan Bonilha, do TCE (Tribunal de Contas do Estado do Paraná), que reduzia a tarifa para R$3,70.

A redução havia sido determinada na segunda-feira, mas nunca foi cumprida pela Urbs. Na quarta-feira, a prefeitura entrou com o pedido no TJ para manter o aumento. Embora a decisão liminar ainda não tenha sido julgada no mérito, a prefeitura agora vai manter a passagem a R$ 4,25.

Segundo a Urbs, o aumento é necessário para pagar os aumentos dos custos do sistema no último ano, além do reajuste previsto no salário dos motoristas e a renovação da frota de ao menos 270 ônibus que rodam há mais de 10 anos.

Homologação

Antes da decisão do TJ ter sido divulgada, os conselheiros do TCE haviam se reunido no começo da tarde e homologado por unanimidade a cautelar que suspendia o aumento.

Único dos oito conselheiros a falar, Ivan Bonilha destacou que entre 2015 e 2017 a tarifa teve um reajuste acumulado de 49,11%. O aumento é mais que o dobro da inflação do período, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 22,31%, disse. No ano passado, enquanto a passagem subiu 14,86%, o IPCA ficou em 6,28%.

Bonilha ainda disse que a renovação da frota já foi paga pelo contrato vigente, e que por isso não pode ser paga novamente através de um reajuste das passagem.

Ele ainda criticou a falta de transparência sobre os crité- rios adotados na definição do aumento. “Não é possível extrair informações com o detalhamento dos investimentos a serem sustentados pelo aumento da tarifa, em que pese ele já ter sido efetivado”.