Paralisação sem aviso deixa parte de Curitiba e São José sem ônibus

Greve de ônibus
Foto: Sindimoc

Com CBN Curitiba

Motoristas e cobradores de duas empresas da Grande Curitiba estão de braços cruzados na manhã desta terça-feira.

O motivo da paralisação é o atraso no pagamento dos salários de dezembro, que deveriam ter caído na conta dos trabalhadores até a última sexta-feira, quinto dia útil do mês.

Novas assembleias serão realizadas nas duas empresas a partir das 10h para definir os rumos do movimento.

De acordo com o Sindimoc, o sindicato dos trabalhadores, a paralisação atinge as empresas CCD e São José Filial que, juntas, operam 72 linhas nas regiões leste, sul e centro de Curitiba, além de parte de São José dos Pinhais.

Nas duas empresas, são cerca de 1.700 funcionários com salários atrasados. A mobilização da categoria já reflete na circulação dos ônibus.

Alguns passageiros enfrentaram transtornos no início da manhã. O motorista Marcos Oliveira usa diariamente a linha Centenário-Hauer. Hoje, ficou cerca de trinta minutos no ponto, mas não passou nenhum ônibus. Marcos teve que ligar para o chefe em busca de uma alternativa para chegar ao trabalho.

“O único ônibus que passa aqui é o Centenário Hauer. Então a greve comprometeu o trabalho e as atividades de todas as pessoas. Aqui tinha 20 pessoas, cada um tomou seu rumo, sem aviso, sem orientação. Eu liguei pro chefe e ele está providenciando transporte”, reclama.

O assistente administrativo Vinicius da Cunha passou pelo terminal do Campo Comprido e presenciou a dificuldade dos passageiros de linhas importantes, como o biarticulado Centenário-Campo Comprido, que também não estava circulando no início da manhã.

“Bastante gente esperando na plataforma do biarticulado. Eu já tinha visto ontem no Facebook do Sindimoc”, disse.

Na Linha Verde, o administrador Irineu Feitosa viu que a sede de uma das empresas estava fechada, com uma grande concentração de trabalhadores em frente ao portão de entrada.

O Setransp, o sindicato que representa as empresas de ônibus, enviou nota às 9h30 desta terça. Leia a íntegra:

“Sobre a falta de pagamento integral da folha aos colaboradores nas empresas São José Filial, CCD e Tamandaré Filial, o Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) informa que esse problema é fruto de um desequilíbrio econômico-financeiro dos contratos de concessão, causado principalmente pelo fato de que a tarifa técnica é calculada em cima de uma projeção de passageiros que não se realiza, como as empresas vêm avisando há tempos. Para março a dezembro de 2016, por exemplo, a Urbs previu um total de 182.707.144 passageiros pagantes, mas só embarcaram nos ônibus 170.311.227. Isso significa que faltaram 12.395.917 passageiros nesse período para cobrir os custos do sistema, uma perda de cerca de R$ 45 milhões”.