Trabalhadores protestam contra a reforma trabalhista em Curitiba

Foto: Narley Resende
Foto: Narley Resende

Com Narley Resende

Centrais sindicais convocaram manifestações em diversas cidades nesta sexta-feira (10) contra a reforma trabalhista, que entra em vigor neste sábado (11). A mudança nas leis trabalhistas foi sancionada pelo presidente Michel Temer em julho. Os sindicatos também protestam contra a reforma da Previdência, que está em negociação entre membros do governo federal e Congresso.

O Dia Nacional de Paralisação, como é chamada a manifestação nacional, foi convocado pelas principais representantes de trabalhadores, como Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, União Geral dos Trabalhadores (UGT), Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) e Fórum Sindical de Trabalhadores.

Em Curitiba, o ato tem início, oficialmente, às 11h, no Centro. Não há previsão de passeatas, por isso, o trânsito, em outras regiões, não deve ser afetado.

Os bancários estão reunidos na Boca Maldita, desde as 8h. As agências não foram paralisadas. Segundo Elias Brandão, presidente do sindicato dos bancários de Curitiba, um dos temores da categoria, com a reforma, são as possíveis demissões e enfraquecimento dos sindicatos. Elias cita, também, a lei da terceirização, aprovada em julho, que permite a terceirização de  atividade-fim.

“Tem muito interesse, inclusive, dos bancos em aplicar essa lei. Os bancos poderão, com essa terceirização, a partir de amanhã, fazer demissões paulatinamente até um número expressivo, para contratar de outras formas, como terceirizado, com a jornada intermitente”, explica, lembrando um dos pontos da reforma.

Os metalúrgicos também começaram os protestos mais cedo; as mobilizações nas portas das fábricas tiveram início por volta das 4h. Várias assembleias foram feiras em diversas empresas, como a Renault, a Volvo, a Bosch e a WHB. De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, 30 mil trabalhadores estão parados nesta manhã.

Os trabalhadores da Bosch, que estavam saindo do 3°turno, fecharam a marginal da BR-376 por alguns minutos no início do dia. A via já foi liberada e os funcionários seguem mobilizados na porta de fabrica. Em frente a Renault, na BR-277, também teve manifestação na rodovia, que já foi liberada para os veículos. Mais de 6 mil metalúrgicos da empresa fizeram uma caminhada nos arredores da empresa.

 

De acordo com a Central Única dos Trabalhadores, uma das entidades que convocou o ato, trabalhadores do interior de São Paulo, Maranhão e Bahia já estão mobilizados. A CUT divulga ao vivo as informações do ato em todo o Brasil.

Na capital, devem participar, além dos bancários e metalúrgicos, professores das redes estadual e municipal, motoristas e cobradores do transporte coletivo e servidores da Universidade Federal do Paraná (UFPR), da tecnológica (UTFPR) e do Hospital de Clínicas (HC).

Veja as categorias que devem participar da mobilização:

Motoristas e cobradores: Segundo Sindimoc, os trabalhadores devem participar do ato no contra-turno, sem afetar o transporte coletivo de Curitiba e Região.

Bancários: O Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região confirmou que os trabalhadores vão aderir a manifestação. As agências funcionam normalmente, porque a adesão é voluntária.

Professores da rede estadual: A orientação do sindicato é para que os professores promovam debates com os alunos em sala sem prejudicar o período letivo.

Professores da rede municipal: Segundo o sindicato, o ato dos professores será feito por representação e as aulas nos CMEIs e escolas municipais não serão afetadas.

Metalúrgicos: Os trabalhadores devem participar do ato a partir das 11h e realizar assembleias e protestos na frente das fábricas durante a manhã. As mobilizações nas portas das fábricas começaram por volta das 4h.

Servidores da UFPR, UTFPR e HC: funcionários também devem participar da manifestação. O Sinditest-PR informa que 30% dos funcionários seguem trabalhando.

Revogação

Além das manifestações, as centrais esperam recolher 1,5 milhão de assinaturas para viabilizar um projeto de lei de iniciativa popular para revogar a reforma. O projeto já tem um milhão de assinaturas. “Acredito que, em 15 dias, a gente consiga chegar a 1,5 minhão e ir lá protocolar”, afirma a presidente da CUT, Regina Cruz.

“Todas as centrais e sindicatos se mostraram alinhados a fazer uma grande mobilização no dia 10. Nos 27 estados. estamos vendo bastante empenho da militância e acreditamos que será uma manifestação histórica, demonstrando que a classe trabalhadora não aceita a reforma do Temer e vai lutar para derrotá-la, seja por meio do abaixo-assinado, seja na luta concreta nas bases e pressionando o Congresso para derrubá-la”, disse o secretário-Geral da CUT, Sérgio Nobre.