Vereadora é acusada de se apropriar de salários de funcionários

Foto: Divulgação/Câmara de Curitiba
Foto: Divulgação/Câmara de Curitiba
Com Roger Pereira

Seis ex-funcionários comissionados da vereadora Kátia Dittrich (SD) protocolaram, nesta terça-feira (15), na Mesa da Câmara Municipal de Curitiba e na presidência do partido Solidariedade, denúncia contra a parlamentar, acusada de se apropriar de parte dos salários dos funcionários de seus gabinetes. Os denunciantes apresentaram comprovantes de depósitos bancários e termos de declaração em que afirmam terem sido demitidos depois de se recusarem a aceitar a prática.

“Trabalhei normalmente no gabinete da vereadora Katia durante o mês de janeiro, até que ela me falou que assim que eu recebesse meu primeiro pagamento, eu deveria repassar à eles o valor de R$2.000,00, e justificou que seria para cobrir despesas das diversas atividades que pretendiam realizar, e que esta seria uma solicitação que ela estaria fazendo à todos os funcionários do gabinete, com exceção dos dois funcionários que foram nomeados com um CC8, por ser o menor salário (em torno de R$ 2.000,00)”, relata um dos denunciantes, que diz ter sido exonerado no dia seguinte à sua recusa à proposta.

“Em torno de 15 dias antes da citada assumir oficialmente a função de vereadora, ela e seu esposo, Marcos Whiters, estiveram em minha casa, e então para minha surpresa, me disseram que eu teria que contribuir com um valor de R$ 1.500,00 mensais do meu salário, o que seria uma prática que a ser realizada por todos os funcionários que fossem nomeados com o objetivo de manter algumas despesas que ela teria com o trabalho no gabinete”, cita um outro ex-funcionário.

Uma outra ex-funcionária afirmou que fez empréstimo bancário, no valor de R$ 5 mil, repassando todo o valor para a vereadora. “Fui surpreendida pela vereadora para uma conversa, a qual era para eu arranjar determinado valor, porque as pessoas que não contribuíssem com ela financeiramente seriam exonerados dos seus cargos, para que pudesse colocar nesses cargos dali para frente outras que a beneficiassem financeiramente”, conta.

De acordo com a assessoria de comunicação da casa de leis municipal, existem três possibilidades que podem ser seguidas pela mesa diretora: não acatar a denúncia por falta de provas, encaminhar para Corregedoria ou mandar para apreciação do Conselho de Ética.

“Primeiramente é um fato isolado, é uma denúncia que chegou por ex-assessores da vereadora, serão apurados e serão abertos procedimentos de sindicância, a partir daí nós encaminharemos para a Corregedoria para que verifique todos os fatos. Tendo a comprovação nós tomaremos as medidas cabíveis a punição desses atos”, explicou o presidente da Câmara Municipal, vereador Serginho do Posto.

O chefe do Legislativo ainda disse que, dependendo do teor das provas, a punição mais severa seria a perda do mandato. “A medida extrema é a perda de mandato, se houver ilícito nós não pouparemos ninguém. Terá que responder primeiro na instância jurídica e depois na instância política”, afirma.