Vereadores resistem à pressão contra pacote de Greca

plano de recuperação - câmara
Foto: Chico Camargo/CMC

Thiago Machado, Metro Jornal Curitiba

Com forte impacto sobre os ganhos do funcionalismo, o pacote do prefeito Rafael Greca (PMN) já vem provocando desgaste entre os vereadores, sindicatos municipais e manifestantes que querem derrubar as medidas. No Facebook, montagens publicadas relacionando políticos com “assalto” aos servidores já foram denunciadas à Polícia Civil no começo do mês. Há ainda um grupo de whatsapp formado e com a inclusão dos vereadores. Nele há referências, por exemplo, aos locais onde moram os parlamentares.

“Algumas pessoas colocam seus nomes, são ligados aos sindicatos e mantêm o debate em alto nível. Outros aparecem anônimos, com recados impróprios”, diz o vereador Dr. Wolmir (PSC). Foi ele quem denunciou na delegacia de Cybercrimes uma montagem, entendida como injuriosa.

“Teve quatro ou cinco vereadores que não gostaram do nível do grupo de whats. Os contrários aos pacote estão na verdade perdendo apoios com isso”, diz.

Para aprovar os projetos, a prefeitura terá que obter maioria qualificada na Câmara, ou 26 dos 39 votos. Embora a oposição não esteja nem oficialmente instituída, há um grupo de vereadores que se classifica como independente e pode embaralhar a aprovação.

“Há sete ou oito vereadores nesse grupo no qual me incluo”, conta Hélio Wirbiski (PPS). “No caso deste pacote, eu acho que a votação será menos pautada por ‘governo’ ou ‘oposição’, e mais pelo bom senso”, aposta.

Wirbiski, por exemplo, já pretende fazer modificações nos projetos através de emendas.

Dr. Wolmir, presidente da Comissão de Legislação, mais importante da Câmara, afirma que ainda é cedo para saber a posição da maioria. “O prefeito tem a base dele e tem voto para passar (o pacote). Mas os vereadores mais novos, principalmente, querem discutir o assunto. Eu vou esperar a chegada dos projetos. Analisar um por um para ver a legalidade”.

Os textos ainda nem chegaram às comissões, o que deve ocorrer nesta semana. Só a partir daí eles poderão ser modificados. É nesta hora que os servidores prometem aumentar a pressão. “Nós vamos participar das comissões com os vereadores”, adianta Irene Rodrigues, coordenadora do Sismuc. Os sindicatos pedem a retiradas dos projetos. “Nós queremos contribuir com a elaboração de novos textos”. diz.

Uma das reclamações é contra o limite para aumento de gastos com servidores de carreira – o teto terá que acompanhar o crescimento das receitas. Os sindicalistas reclamam que os gastos com comissionados e publicidade podem subir, mesmo com o ‘arrocho’ aos servidores.

Greve ocorre ‘com certeza’, diz Sismuc

De acordo com a coordenadora do Sismuc, Irene Rodrigues, a tramitação do pacote vai acabar em uma greve dos servidores “com certeza”. “Nós só não aprovamos (a greve na semana passada) porque precisamos de segurança jurídica e respeitar os prazos da lei de greve”, contou.

O início da paralisação foi marcado para o dia 28 de abril. Já no dia 24 está marcada uma assembleia com os cinco sindicatos, para obter um posicionamento em conjunto dos servidores para, ao menos, mudar em parte os textos. “Não me parece que os vereadores, só por serem da base de apoio do prefeito, deixem de ter bom senso”, diz Irene.

Os servidores estão preparando um estudo técnica em que contestam os números da prefeitura. O documento será enviado aos vereadores.