Caminhos da Exportação: primeiros passos no exterior

O Paraná saltou uma posição e, hoje, é o quarto colocado entre os estados que mais exportam no Brasil – de janeiro a agosto, foram US$ 12,41 bilhões.  O momento é positivo para as empresas interessadas em conquistar novos mercados. Mas, como dar os primeiros passos?

O superintendente e gerente do Centro Internacional de Negócios do Paraná (CIN-PR), Reinaldo Tockus, explica que, antes de conquistar o mercado global, a empresa precisa ter uma presença sólida aqui, no Brasil. “Primeiro, ela precisa ter um produto com boa aceitação. Se ela tiver um produto com boa aceitação no mercado interno, já é um bom indicador”.

Foto: Fiep

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Depois, é hora de escolher quais produtos exportar, identificando aqueles que atendem as exigências do mercado externo e avaliando as condições que a empresa tem para atender a demanda.

Nesta etapa, é possível consultar dados do sistema do Departamento de Promoção Comercial e Investimentos (DPR) do Ministério das Relações Exteriores (MRE), que realiza pesquisas de mercado, no exterior e divulga informações sobre produtos brasileiros com potencial de exportação. Há, ainda, a International Trade Centre (ITC), que também oferece dados sobre o mercado internacional e oportunidades.

Outra forma é consultar a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) ou a Nomenclatura Aduaneira da Aladi (NALADI/SH), criadas com base na Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH). Elas são codificações dos produtos que permitem identificá-los no mercado global, além de conhecer os mercados mais promissores para cada um deles.

“Através dessa codificação, você vai encontrar, mundialmente, quem são os principais fornecedores desse produto. A partir daí, você pode encontrar também os mercados que mais compram esse produto”, explica Reinaldo.

Imagens: TV Fiep

A chegada ao novo país

Escolhidos os produtos e os mercados-alvo, o próximo passo é reunir informações para que a chegada aos novos países tenha sucesso. “Tem mercados que buscam preço, tem mercados que buscam valor agregado, mercados que buscam produtos diferenciados. Por exemplo, no caso de alimentos, tem mercados que buscam alimentos com características orgânicas”, explica Reinaldo.

Conhecer o novo mercado é essencial. Para isso, o MRE também recomenda que os empresários participem de eventos e feiras no exterior e no Brasil voltados para os novos negócios. Um exemplo são as rodadas internacionais Fiep. Nelas, empresas apresentam seus produtos a parceiros internacionais, sem precisar deixar o Brasil para fechar negócio.

“Esses compradores vêm verificar as oportunidades ofertadas pelos empresários e os negócios acontecem, se não imediatamente, logo na sequência dos encontros”, afirma Reinaldo.

Foto: Fiep

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Em alguns casos, para exportar, é preciso fazer alterações nos produtos – que só serão definidas mediante um bom conhecimento dos novos consumidores.

“Dependendo do mercado-alvo, ela vai precisar adequar o seu produto às condições ou legislação local. Isso normalmente impacta em embalagem, forma de apresentação, itens obrigatórios na descrição do produto, ou se, eventualmente, o produto tem componentes que naquele país são restritos”, exemplifica.

A dica para quem está dando os primeiros passos é focar em um mercado de alto potencial. “Esse mercado vai ser detectado através de um estudo de inteligência comercial”, explica Reinaldo.

“A partir de uma escolha da empresa, aí sim, vamos verificar, para aquele mercado, quais as exigências e características que esse produto precisa ter de tal forma que tenha facilidade de acesso e condições de competir naquele mercado”.

As diversas adaptações passam uma por uma boa estratégia de marketing internacional, que vai definir, entre outros fatores: identificação de necessidades de consumo no mercado externo; características mais aceitas pelo mercado no novo país – design, materiais, desempenho, aspectos técnicos, preço, entre outros; aspectos culturais nas exportações, que podem influenciar desde a negociação à promoção dos produtos; canais de distribuição, desde a fabricação à entrega ao consumidor final; material promocional, canais de promoção, entre outros aspectos da divulgação.

O economista Evânio Felippe ressalta o cuidado com barreiras técnicas, especialmente no ramo de alimentos, com requisitos fitossanitários, e automobilístico, que precisa atender, por exemplo, as exigências legais de cada país. “Tem uma infinidade de barreiras que têm que ser cumpridas para colocar o produto lá fora. Elas podem viabilizar ou inviabilizar”, explica.

A empresa também precisa optar por uma forma de internacionalização. A exportação pode ser direta – o produto exportado é faturado pelo próprio produtor ao importador – ou indireta – por meio de tradings, exportadoras, por consórcios, entre outras opções.

Etapas da exportação

O caminho para a exportação também exige o cumprimento de algumas etapas para que a empresa fique apta a vender para o exterior. No site Invest & Export Brazil, é possível encontrar um guia passo a passo do processo de exportação, desde a internacionalização da empresa ao transporte, tributação, entre outros aspectos.

Com produtos e serviços definidos, mercados-alvo escolhidos e adaptações planejadas, é preciso se cadastrar junto à Receita Federal para a utilização do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), que é o sistema que integra as atividades de registro, de acompanhamento e de controle de comércio exterior, realizadas pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), pela Receita Federal e pelo Banco Central do Brasil (Bacen), entre outros órgãos.

Após o cadastro, é feita toda a negociação entre exportador e importador, documentação necessária para as transações, tributações, definição do transporte, prazos, entre outros fatores, que podem ser consultados no site Invest & Export Brazil. Para obter auxílio em todos os processos, os empresários podem buscar orientação em órgãos como o CIN-PR, Sebrae, na Receita Federal e  MDIC, entre outros.

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Na próxima matéria da série Caminhos da Exportação, como a empresa pode se manter competitiva no exterior e casos de sucesso.

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