Petrobras diz que variação dos combustíveis é resultado de aumento de tributos

Foto: Geraldo Falcão / Agência Petrobras

Com Cristina Indio do Brasil, Agência Brasil

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, afirmou, nesta segunda-feira (13), que a variação de preços dos combustíveis derivada da ação da política da empresa ficou em 1,4% entre 15 de outubro do ano passado e 31 de outubro de 2017. Porém, levando em conta a alteração dos tributos, este percentual sobe para 22,1%.

“Acho importante trazer este dado para mostrar que, realmente, a grande variação de preços que aconteceu não tem nenhuma ligação maior com a nova política e, sim, com o aumento de tributos do governo federal”, disse.

A declaração foi feita durante entrevista na sede da empresa para apresentação dos resultados da Petrobras no terceiro trimestre de 2017 e dos nove meses do ano até setembro.

O presidente acrescentou que a política de preços adotada pela companhia, que permite ajuste diário das margens da empresa ao valor dos derivados no mercado internacional, ajudou ainda a não aumentar as importações dos combustíveis.

“Se, eventualmente, não estivéssemos praticando a política, o que a gente poderia ver era um estímulo maior a importações, portanto, um market share [participação no mercado] ainda mais reduzido em relação àquele que temos hoje. Não temos nenhuma dúvida do acerto dessa política de reajustes diários, e se ela não estivesse existindo, o que a gente poderia estar vendo, na realidade, seria um estímulo maior à importação. Com essa política, nós conseguimos manter esta situação no nível em que está, embora, obviamente, como qualquer empresa, desejamos um market share maior”, apontou.

Ainda na entrevista, Parente revelou que, até o fim do ano, a companhia vai divulgar a revisão no seu plano estratégico.

“Não devem esperar uma revisão radical. Não é uma revisão radical do plano. São revisões pontuais, exatamente porque entendemos que o plano, como foi elaborado, continua bastante adequado”, afirmou.

Lucro

A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 266 milhões no terceiro trimestre de 2017. O resultado ficou um pouco abaixo do trimestre anterior, que teve R$ 370 milhões de lucro, mas representa um dado positivo na comparação com o mesmo período do ano passado, quando a estatal registrou prejuízo de R$ 16,4 milhões.

No acumulado do ano, contando os três trimestres até setembro, o lucro líquido da estatal soma R$ 5,031 bilhões. No mesmo período de 2016, a companhia havia registrado prejuízo de R$ 17,3 bilhões.

De acordo com a Petrobras, o resultado do lucro líquido este ano até agora foi determinado por maiores exportações líquidas de petróleo e derivados a preços mais elevados; menores margens e volume de vendas de derivados no Brasil; menores gastos com pessoal e com baixas de poços secos e/ou subcomerciais; ganho com a venda da NTS (subsidiária da estatal) no segundo trimestre de 2017; redução do impairment [desvalorizações] dos ativos e maiores gastos com adesão a programas de regularização de débitos federais.

O fluxo de caixa livre foi positivo pelo décimo trimestre consecutivo e atingiu, nos nove meses deste ano, R$ 37,4 bilhões, o que representa alta de 26% relativo ao ano anterior. “Isso é muito importante. É uma mudança bastante grande comparativamente aos exercícios anteriores”, destacou o presidente da estatal, Pedro Parente.

Produção e dívida

A produção total de petróleo e gás natural nos nove meses atingiu 2776 mil barris de óleo/ dia, sendo 2.660 mil barris/dias no Brasil, 3% acima do registrado nos no mesmo período do ano passado.

O perfil da dívida da companhia também teve avanços. Segundo a Petrobras, o alongamento do prazo médio de 7,46 anos em 31 de dezembro de 2016 passou para 8,36 anos em 30 de setembro deste ano. Além disso, houve redução no custo da dívida que saiu de 6,2% ao ano para 5,9% ao ano no mesmo período de comparação.

O endividamento líquido em dólares caiu 9%, passando de US$ 96,4 bilhões em 31 de dezembro de 2016 para US$ 88,1 bilhões em 30 setembro de 2017.

A Petrobras afirmou que as vendas de derivados no mercado brasileiro sofreram impacto da retração da demanda e pela concorrência mais acirrada, atingindo 1.959 mil barris por dia, o que significou queda de 6% em comparação com os nove primeiros meses de 2016.

Na exportação, a empresa manteve a posição de exportadora líquida com saldo de 385 mil barris por dia. Segundo a estatal, o resultado foi influenciado pelo aumento em 39% das exportações de petróleo e derivados e da redução em 19% das importações, em comparação aos nove primeiros meses de 2016.

Já nas importações, a diminuição foi impactada pelo aumento da participação de óleo nacional na carga processada.

O indicador de segurança (TAR), que avalia o nível de acidentes com empregados, chegou ao fim do período com 1,09 acidentado registrável por milhão de homens hora. “Continuamos mantendo uma redução consistente daquele indicador taxa de acidentados registráveis por milhões de homens hora.

O máximo aceitável para este ano seria de 1,6 e a meta para o final de 2018 é de 1,4. O que naturalmente sugere que quando divulgarmos a revisão do nosso plano estratégico, até o fim do ano, vamos ver a redução da métrica para 2018”, disse Parente.

Investimentos

Sobre as plataformas FPSO (sigla em inglês para Unidade Flutuante de Produção, Armazenamento e Transferência), o diretor de Desenvolvimento da Produção e Tecnologia, Roberto Moro, informou que a companhia vai contratar três unidades no ano que vem.

“Nós temos Búzios já em processo de licitação e temos Marlim e Parque das Baleias”.

Dividendos

A Petrobras ainda vai avaliar o pagamento de dividendos aos acionistas em 2017. De acordo com o diretor da Área Financeira e de Relacionamento com Investidores, Ivan Monteiro, vai depender do resultado final da empresa.

“A companhia sempre declarou que, se o resultado final for positivo, sim, a companhia pagará dividendos”, disse, sem querer indicar qual é a perspectiva. “Tem que esperar o final do ano”.

Desempenho financeiro

O diretor destacou a mudança no perfil de endividamento da Petrobras e disse que, graças ao trabalho que vem sendo feito, além de alongar o período de vencimento da dívida, houve redução no custo financeiro.

“Essa mudança do perfil, gera muita tranquilidade com a posição de caixa da companhia. A companhia tem caixa suficiente. A Petrobras poderia ficar, praticamente, três anos sem ir a mercado [para buscar capitalização], comparando o valor do principal com o que temos em nosso caixa”, afirmou.