Caminhos da Exportação: Paraná é o quarto maior exportador

Mariana Ohde

Com o Brasil enfrentando uma série de instabilidades políticas e econômicas, vender para outros países tem sido uma alternativa para muitos empresários. E, para os paranaenses, o momento é ainda mais positivo: segundo os últimos dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), o estado é o quarto maior exportador do Brasil. Depois de quatro anos consecutivos na quinta colocação, o estado superou o Rio Grande do Sul e subiu no top 5.

Mas as vantagens de investir na exportação não se resumem aos novos mercados: exportar também torna a empresa mais competitiva no mercado interno.

“[A empresa] passa a competir com concorrentes que precisam se manter atualizados tecnologicamente, você precisa manter seu modelo de negócio muito atualizado, dentro daquilo que o mercado pratica”, explica Reinaldo Tockus, superintendente e gerente do Centro Internacional de Negócios do Paraná (CIN-PR).

Reinaldo ressalta que a estratégia pode ajudar a empresa a manter a qualidade dos produtos e serviços e a busca constante por inovação. “Da mesma forma como nós estamos buscando mercados internacionais, players internacionais, concorrentes estrangeiros, também estão de olho no mercado nacional e podem vir, a qualquer momento, tirar a sua fatia de mercado. Então, quanto mais você conseguir se manter atualizado, tanto tecnologicamente quanto no modelo de negócio, mais sobrevida vai ter a sua empresa”.


E todas estas oportunidades vêm ganhando atenção: de acordo com dados da CIN-PR, em 2016, 225 empresários participaram do programa de capacitação para a exportação do órgão. Em 2017, de janeiro a julho, este número já subiu para 248.

Exportações em alta

Foto: Fiep
Foto: Fiep

De acordo com o economista Evânio Felippe, os mais recentes indicadores econômicos indicam um momento favorável para as exportações.”É um bom momento para exportar considerando a comparação das perspectivas de crescimento da economia brasileira com o aumento das exportações paranaenses neste ano. Enquanto as projeções do mercado apontam para um crescimento de 0,5% do PIB [Produto Interno Bruto] em 2017, as exportações totais do Paraná acumularam um crescimento de 15,96% até julho deste ano”, explica.

Segundo o economista, os dados mostram uma força maior do mercado externo, expressa pelo aumento das exportações, enquanto o consumo das famílias – outro fator que compõe o PIB, juntamente com investimentos, exportações menos importações e gastos do governo – tem apresentado taxas menores de crescimento.

“O consumo no mercado interno, ao longo deste ano, apresentou uma leve queda 0,6%. Comparando este resultado com o crescimento acumulado das exportações, certamente, para aquelas empresas que já exportam e para aquelas que queiram exportar o mercado externo encontra-se altamente atrativo”.

Evânio lembra, ainda, que os empresários precisam ficar atentos ao câmbio. “O câmbio interfere na rentabilidade. Um câmbio depreciado fomenta as exportações. Um câmbio apreciado diminui as exportações. Quando está depreciado, os produtos brasileiros ficam mais baratos lá fora e outros países vêm comprar. Quando valorizado, os produtos ficam mais caros e os países compram em locais mais baratos”.

Paraná exportador

A atividade de comércio exterior paranaense terminou o ano de 2016 com um saldo positivo na balança comercial de US$ 4,078 bilhões, crescimento de 65,8% em relação ao ano de 2015. Em 2016, as exportações somaram US$ 15,171 bilhões.

Já em 2017, contabilizando os resultados obtidos até julho, o saldo da balança comercial já ultrapassou o ano passado inteiro, chegando a 4,216 bilhões. O valor também é quase o dobro do registrado em 2015, de US$ 2,46 bilhões.

Em 2017, de janeiro a agosto, o Paraná já exportou US$ 12,41 bilhões, o que representou um aumento de 17,1% em relação ao mesmo período do ano passado.

Balança comercial

Com estes resultados, hoje, o Paraná perde apenas para São Paulo (US$ 33,5 bilhões), Minas Gerais (US$ 16,9 bilhões) e Rio de Janeiro (US$ 15,4 bilhões). No Sul, o Paraná foi o maior exportador, à frente do Rio Grande do Sul (US$ 11,63 bilhões) e Santa Catarina (US$ 5,711 bilhões).

Exportadores

Produtos

Em 2017, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), os produtos mais exportados em 2017 pelo estado são a soja (26,08%), pedaços de frango, (8,94%), resíduos de óleo de soja (5,44%) e automóveis (5,26%). Para o economista Evânio, tanto o agronegócio quanto o de automóveis devem permanecer em alta, favorecendo empresas destes ramos que desejam exportar.

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Setores promissores

O grande destaque do estado é o agronegócio. Nos primeiros oito meses do ano passado, ele respondia por 74,97% do total embarcado pelo Paraná. Nesse ano, a presença ficou em 72,04%. De janeiro a agosto, foram US$ 8,94 bilhões em exportação de produtos do agronegócio, 12,5% mais do que no mesmo período do ano passado.

Graças à supersafra desse ano, as exportações de soja – principal produto – aumentaram 23,3% de janeiro a agosto – para US$ 3,2 bilhões.

A carne de frango in natura seguiu na segunda colocação entre os principais produtos enviados ao exterior pelo Paraná. Foram US$ 1,56 bilhão, 10,1% mais do que nos primeiros oito meses de 2016. Outros destaques foram as exportações de açúcar bruto, com avanço de 21,8% (US$ 627,6 milhões) e óleo de soja bruto com 22% mais na mesma base de comparação (US$ 324,07 milhões).

Entre os automóveis, o destaque foi o aumento das exportações de automóveis, principalmente para a Argentina. De janeiro a agosto, a receita de exportações de automóveis somou US$ 653,4 milhões – 89% mais do que nos primeiros oito meses de 2016. Os embarques de autopeças cresceram 52,5%, chegando a US$ 186,13 milhões, e de veículos de carga aumentaram 56,8% -atigindo US$ 294,5 milhões.

Também aparecem nas exportações produtos menos representativos, mas com crescimento significativo, entre eles extratos, essências e concentrados de café, que tiveram crescimento de cerca de 132% entre janeiro e julho de 2017 em comparação com o mesmo período de 2016. Também se destacam o mel natural (127%)  e couros (285%).

Países

Segundo dados da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), o mercado da China é o principal país comprador do Brasil – com participação de 28,49%, segundo Secex. A maior movimentação é no comércio de soja, carnes e miudezas e pastas químicas.

Em segundo, destaca-se o mercado da Argentina (10,8%), com compras de automóveis de passageiros, automóveis para transporte de mercadorias e partes de acessórios de veículos produzidos no Paraná. Em terceiro lugar estão os Estados Unidos (4,64%), com destaque para o comércio de madeira perfilada, madeira compensada e obras de carpintaria para construção.

O quarto país com mais compras de produtos paranaenses é a Arábia Saudita (2,84%) e Holanda (2,72%).

PAíses

Neste ano, o Paraná ampliou embarques para seus principais mercados. Para a China, principal destino dos produtos paranaenses, o estado aumentou em 18,4% as exportações, para US$ 3,53 bilhões. Para a Argentina, foram enviados US$ 1,339 bilhão (44,9% mais) e para os Estados Unidos, US$ 575,15 milhões (alta de 12,4%).

Na próxima matéria da série Caminhos da Exportação, os primeiros passos para exportar.

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