Chineses compram porto paranaense por R$ 2,9 bilhões

Foto: divulgação / TCP
Foto: divulgação / TCP

A operadora chinesa de terminais China Merchants Port (CMPort) anunciou nesta segunda-feira (4) a compra, por R$ 2,9 bilhões, de 90% do TCP (Terminal de Contêineres de Paranaguá), que opera o terminal ao lado do Porto de Paranaguá, um dos maiores da América do Sul.

O negócio marca a entrada do grupo chinês na América Latina e foi anunciado como “crucial para a expansão global da empresa” e uma “demonstração de confiança na economia brasileira”, segundo Bai Jingtao, diretor administrativo da CMPort, com sede em Hong Kong.

Pelo acordo, a CMPort comprará 50% das ações da TCP que pertencem à Advent International e 40% das ações da empresa que pertencem aos acionistas fundadores da TCP – Galigrain S.A. (“Galigrain”),Grup Maritim TCB S.L. (“TCB”), Pattac Empreendimentos e Participações S.A. (“Pattac”), Soifer Participações Societárias S.A. (“Soifer”) e TUC Participações Portuárias S.A. (“TUC”). Advent, Galigrain e TCB venderão a totalidade de suas ações, enquanto Pattac, Soifer e TUC manterão, juntas, 10% do capital da empresa.

A transação envolvendo a TCP – empresa avaliada em aproximadamente R$ 3,2 bilhões (US$ 1 bilhão), é uma das maiores já realizadas no setor de terminais de contêineres na América Latina e o primeiro investimento da CMPort na região.

A conclusão da operação, prevista para acontecer até o fim de 2017, está sujeita a condições precedentes usuais para esse tipo de negócio, incluindo a aprovação regulatória e por parte do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE).

d807e8f3-d9ac-4f62-a54a-51a67cf3ab14Com uma capacidade anual de 1,5 milhão de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) e iniciando uma expansão que elevará sua capacidade para 2,4 milhões de TEUs/ano até 2019, a TCP opera, em regime de concessão, um dos maiores terminais de contêineres do Brasil.

Localizado no Porto de Paranaguá (PR), o terminal operado pela TCP se destaca como um dos mais importantes hubs para a movimentação de cargas para exportação e importação do Brasil, movimentando aproximadamente 10% do total de contêineres no país. Entre os produtos movimentados pela TCP estão carnes congeladas (segmento em que a TCP é líder de mercado), madeira, componentes para a indústria automotiva, químicos e equipamentos eletrônicos. Além do terminal de contêineres, a TCP também atua, por meio de sua subsidiária TCP Log, na logística porto-a-porto de contêineres.

Chineses

A CMPort é uma das maiores operadoras globais de terminais de contêineres, com movimentação total de mais de 95 milhões de TEUs em 2016.

Na China, a empresa possui operações em Hong Kong, Shenzhen, Shanghai, Ningbo, Qingdao, Dailian, Tianjin, Zhanjiang e Xiamen Bay, entre outras.

A empresa detém, ainda, terminais de contêineres em países como Estados Unidos, Sri Lanka, Nigéria, Djibouti, Togo e Turquia, bem como em diversos países na Ásia e na Europa.

“A China Merchants Port expandiu rapidamente sua presença internacional e entende que a entrada na América Latina, especialmente no Brasil, é crucial para a expansão global de sua rede de terminais”, afirma Dr. Bai Jingtao, Managing Director da CMPort.

“A TCP não é apenas o marco fundamental da China Merchants para entrar no Brasil, mas o futuro hub para o crescimento do fluxo de commodities e bens entre o Brasil e a China. A China Merchants Port também usará sua experiência global de operação portuária para ajudar a TCP a continuar sua história de sucesso como um dos principais líderes do setor portuário no Brasil e na América Latina”, destaca Dr. Bai, acrescentando que “esta aquisição histórica demonstra a confiança da CMPort na economia brasileira e seu compromisso em contribuir para o desenvolvimento da infraestrutura do país e para o crescimento do fluxo de negócios entre os países do BRICS”.

“O Brasil é a maior economia da América Latina e tem um grande mercado potencial, além de recursos e reservas abundantes. O país também é membro dos BRICS e o mais importante parceiro estratégico da China na região. A transação vai ao encontro da estratégia da China Merchants Group de promover a cooperação comercial com os BRICS, bem como o ‘Plano de Ação Conjunto China-Brasil’”, diz Dr. Hu Jianhua, Vice-Presidente Executivo da China Merchants Group e Vice-Chairman da CMPort.

“A transação contribuirá para que a CMPort alcance seus objetivos comerciais, e, ao mesmo tempo, contribuirá para o desenvolvimento do comércio entre o Brasil e a China e para a relação de cooperação estratégica entre os dois países “.

Os bancos BTG e Morgan Stanley atuaram como assessores financeiros dos acionistas vendedores na transação. O banco Santander atuou como assessor financeiro da CMPort. O escritório Mattos Filho atuou como assessor legal dos acionistas vendedores e os escritórios Pinheiro Neto e Linklaters atuaram como assessores legais da CMPort.