Déficit de maio de 2017 supera maio de 2016

carlos augusto ferreira

O economista e CEO, Carlos Augusto Ferreira, faz uma análise sobre o déficit do país e as perspectivas futuras desse incômodo que vem tirando o sono dos economistas de plantão no Palácio do Planalto. Veja:  “O deficit vem, em geral, acompanhado de adjetivos que levam a significados diferentes. Podemos começar pelo déficit primário ou fiscal, que ocorre quando os gastos do governo superam a arrecadação de impostos no período considerado.
Quando se fala em déficit nominal ou total, inclui-se mais uma despesa nas contas: o gasto do governo com as dívidas passadas. O Estado pode ter emitido dinheiro ou pego empréstimo para pagá-las. No último caso, vendeu títulos da dívida pública a brasileiros ou estrangeiros, para quem precisa pagar juros.
É interessante destacar que pode ocorrer superávit primário e déficit nominal. Isso acontece se a parte da arrecadação que sobrar depois dos gastos não for suficiente para pagar os juros da dívida acumulada. O déficit nominal é também chamado de Necessidades de Financiamento do Setor Público (NFSP), já que corresponde à quantidade de empréstimos a que o setor público precisa recorrer.
Agora vamos entender como estamos em maio/2017. O setor público encerrou maio de 2017 com um deficit de R$ 30,7 bilhões contra R$ 18,1 bilhões em maio de 2016. Este deficit de maio de 2017 é recorde desde o início da série histórica iniciada pelo Banco Central em 2001.
As contas que mais contribuíram foram o INSS com R$ 5,8 bilhões a mais que maio de 2016, precatórios R$ 10 bilhões. No acumulado dos cinco primeiros meses de 2017 o deficit foi de R$ 15,6 bilhões contra R$ 13,4 bilhões em 2016.
Bom, mais na prática isto quer dizer que o Brasil está como? Mal. A meta para o ano de 2017 é de R$ 143,1 bilhões, e o que temos no acumulado dos últimos 12 meses são R$ 157,7 bilhões, isto quer dizer que precisamos de eficiência nos 7 meses restantes não inferior a R$ 14 bilhões de reais.
Maio reflete um deficit de R$ 32,1 bilhões do Governo Federal e um superavit de R$ 1,4 bilhões de estados e municípios que estão fazendo o dever de casa. Esclarecendo, o Brasil necessita urgentemente das reformas, da retomada da confiança e da conquista de mercados para exportações, haja vista que este é um dos caminhos para o superávit. Evidentemente que uma economia reativada pode movimentar-se mais e contribuir com superavits fiscais para fazer frente aos desafios de recuperação do Brasil”.