Material escolar deve subir quase 3 vezes a inflação

Andreza Rossini

Do Metro Jornal

Os pais devem enfrentar neste ano aumentos entre 5% e 8% nos preços do material escolar.

A projeção é da Abfiae (Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares), que atribui a alta a reajustes de matérias-primas, como plástico, papel e tintas, ajustes de mão de obra e variação cambial. O aumento de 8% representa 2,88 vezes a inflação de 2017.

Economistas estimam que o IPCA tenha fechado o ano passado em alta de 2,78%. Ricardo Carrijo, diretor de relações institucionais da Abfiae, afirma que os produtos importados devem ter reajustes maiores em função de variações recentes do câmbio. “O dólar se fortaleceu nos últimos meses e isto causa impacto no preço final dos produtos importados, em especial mochilas e estojos”, diz.

Carrijo aconselha os pais a anteciparem as compras e pesquisarem preços. Segundo ele, como o mercado de papelarias é bastante pulverizado, existe ainda uma grande possibilidade de encontrar boas ofertas. “O consumidor deve fazer uma lista do que precisa comprar para não se render a impulsos. Também é recomendável juntar todo o material escolar do ano anterior e ver a possibilidade de reutilizá-lo”, orienta Ricardo Teixeira, especialista em gestão financeira e professor da FGV (Fundação Getulio Vargas).


Uma dica é conversar com outros pais para trocar livros didáticos e fazer compras em conjunto para conseguir preços menores. “Outra opção é a internet. É possível buscar materiais e livros usados em excelente estado que, muitas vezes, custam a metade do preço. Comprar no atacado também pode render bons negócios”, ressalta.

Teixeira aconselha também tentar comprar à vista e pedir desconto. Se tiver que pagar a prazo, o consumidor deve observar se as parcelas caberão no orçamento. “O ideal é conversar com os filhos antes de sair às compras, explicando a situação em que a família se encontra e quanto poderão gastar com os materiais. Caso contrário, é melhor não ir às compras com as crianças.”

Como economizar

  • Antes de ir às compras, analise itens do ano passado e selecione tudo o que ainda pode ser usado, como tesoura, régua e mochila Procure pais de alunos mais velhos para emprestar ou comprar livros por um preço mais acessível, se estiverem em boas condições de uso
  • Pesquise em sebos e na internet materiais e livros usados em bom estado. Muitas vezes, eles custam a metade do preço
  • Reúna pais para comprar itens em atacado, como caixas de lápis, cadernos e agendas
  • Faça muitas pesquisas e trace um orçamento para ter noção do gasto total
  • Não é preciso necessariamente comprar todos os itens na mesma loja, mas se decidir por um único estabelecimento é válido pedir descontos
  • No dia das compras, converse com os filhos sobre o orçamento, para que não corram o risco de se deixar levar pelo impulso e gastar mais do que o planejado
  • O ideal é sempre fazer os pagamentos à vista, mas se não for possível, opte por poucas parcelas que caibam no bolso, para não comprometer as finanças do ano por vários meses

O que a escola não pode pedir

  • Produtos de uso coletivo, como os de higiene e limpeza Marcas ou locais de compra específicos para o material, tampouco que os produtos sejam adquiridos na escola, exceto para artigos que não são vendidos no comércio, como é o caso de apostilas pedagógicas próprias do colégio
  • Que o aluno não reutilize um livro usado se o seu conteúdo estiver atualizado

Fonte: Reinaldo Domingos, presidente da Abfiae (Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares).

 

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